SADISMO - Desvio no comportamento sexual, no qual a satisfação não pode
ser conseguida senão com a imposição de sofrimento ao parceiro. Por extensão,
denomina-se sadismo o prazer em fazer mal aos outros, em maltratar pessoas ou
animais. Este termo teve origem no nome do Marquês de Sade, que se celebrizou
por seus crimes sexuais. Embora se afirme que em todo ato sexual, sobretudo no
homem, há certa nota de agressividade, de afirmação violenta, não se pode
confundir isto com atos de violência física. Estes podem ir desde atos
sanguinários moderados até ao vampirismo, mutilações, antropofagia e
estrangulamento. As próprias violências morais, como insultos e humilhações,
podem ser consideradas também como uma forma de sadismo. Em outros casos, podem
ocorrer formas menos diretas, como o desejo de rasgar roupas das vítimas ou
destruir seus objetos de estima. Forma mais ou menos atenuadas de sadismo são
comuns em indivíduos violentos e agressivos. Segundo a psicanálise clássica, as
manifestações acima citadas são tendências instintivas sádico-agressivas dos
impulsos, comuns a todo indivíduo, envolvendo a necessidade de afirmação de si,
posse e domínio, implicando em atitudes de violência e crueldade. A evolução
perturbada de tais impulsos aparece em diferentes tipos de neuroses e psicoses.
Erros de educação e fortes repressões na evolução normal da sexualidade podem
acentuar determinadas tendências do indivíduo para o sadismo.
SENSAÇÃO - Efeito de uma impressão mental, quase sempre complexa, que se
tem através de órgãos dos sentidos. Esquematicamente, pode-se dizer que a
sensação tem origem num estímulo ou numa excitação, que atua sobre os receptores
(retina, pele, etc.) de órgãos sensoriais, provocando a impressão; esta é levada
pelos nervos sensitivos dos centros nervosos (cérebro), tendo-se portanto a
condução; e por fim se dá a sensação propriamente. Conforme essa teoria da
localização, as sensações passam a ser "percebidas" quando uma determinada área
sensorial do cérebro (terminal nervoso) é ativada.
O termo designa uma considerável variedade de aspectos e fenômenos psicológicos,
ligando-se também a atividades físicas, como é natural. Não se pode falar de
sensação sem falar dos sentidos. E costuma-se dividir o estudo dos sentidos em
dois pontos: percepção (correspondendo à utilização dos sentidos frente a fatos
do meio-ambiente ou do próprio indivíduo), e sensação (correspondendo aos
estímulos que impressionam os órgãos dos sentidos, ao funcionamento desses
órgãos). Cada órgão sensorial dispõe de grande capacidade de "registrar", ou,
para empregar o verbo mais adequado, de "sentir" determinado tipo de estímulo;
para isso, o órgão está devidamente adaptado e especializado nessa determinada
função. De maneira que, por exemplo, os ouvidos reagem a variações de vibrações
sonoras, ao passo que os olhos reagem a intensidades ou comprimentos de ondas da
luz, e assim por diante. Como é sabida, há cinco sentidos humanos: visão,
olfato, audição, gustação e tacto. Esses sentidos podem ser classificados em
três tipos: extroceptores (que recebem estímulos do exterior), introceptores
(que recebem estímulos do interior do corpo - a boca, a garganta, o esôfago, o
estômago, os intestinos e os pulmões). e proprioceptores (que se acham em certos
músculos, tendões, articulações - e portanto no próprio corpo, daí o nome -
sendo ativados por movimentos dessas partes orgânicas). As células sensoriais
podem ser consideradas em categorias diferentes, conforme as áreas da pele em
que se acham e também conforme a distância entre elas e a superfície da pele.
Além; desses conceitos relacionados aos sentidos, considera-se que as sensações
referentes aos movimentos, às posições e a pressões sofridas pelo corpo são
notadas por células sensoriais especializadas, que se acham em músculos, tendões
e juntas - é o que se denomina de sistema cinestésico ou cinestesia.
SÍNDROME - Conjunto bem determinado de sintomas que não caracterizam
necessariamente apenas uma afecção patológica ou uma só moléstia, mas podem
traduzir uma certa modalidade patogênica. O conceito de síndrome distingue-se da
idéia de doença por não implicar numa unidade etiológica ou patológica. Uma
mesma síndrome pode ser produzida por diferentes doenças. Os síndromes
designam-se ora pelos fenômenos fisiopatológicos que os caracterizam, ora pelo
órgão ou estrutura cujas alterações determinam o fenômeno mórbido, ou ainda pelo
nome do autor, ou autores, que os descrevem. A síndrome comocional
caracteriza-se por um conjunto de distúrbios neuropsíquicos, provocados por
explosões ocorridas próximo ao indivíduo sem que esta seja ferido ou apresente
lesões nervosas localizadas. Os principais sintomas são: astenia, fatigabilidade,
cefaléias, vertigens e hipoestesias. Esta síndrome depende de um comprometimento
funcional geral dos centros nervosos com lesões discretas e difusas, geralmente
reparáveis. Por muito tempo esta síndrome foi confundida com síndromes
emocionais, psiconeuroses emotivas e manifestações de histeria. A síndrome
atópica dos feridos crãnio-cerebrais, que compreende distúrbios independentes de
lesões nervosas localizadas, confunde-se na maioria dos casos com a síndrome
comocional.
SUBLIMAÇÃO - Mecanismo de defesa pelo qual a energia psíquica de
tendências e impulsos inaceitáveis primitivos se transforma e se dirige a metas
socialmente aceitáveis, isto é, o inconsciente desloca energia de certas
tendências condenáveis ou inaceitáveis, para realizações consideradas
"superiores". Dessa forma, as necessidades instintivas e os impulsos
inaceitáveis encontram na sublimação uma "saída", um modo "normal" de expressão.
Aquelas tendências e impulsos primitivos inaceitáveis - com finalidades por
exemplo pessoais, egoístas, proibidas, "irregulares" - são transformadas e sua
energia é dirigida a atividades digamos científicas, altruísticas, políticas,
artísticas, etc., pelo mecanismo da sublimação. Vê-se que assim o indivíduo ao
mesmo tempo elimina ou reduz possibilidades de perversão, de neuroses, de
anormalidades psíquicas, por meio da sublimação encaminha sua atenção e sua
potencialidade para realizações e criações positivas. Dessa forma têm-se
desenvolvido grandes promoções sociais e culturais baseadas no trabalho de uma
pessoa, e também especialmente é assim que aparecem muitos grandes vultos na
ciência, na literatura, na religião, etc. Por isso, a sublimação é tida como o
mais importante mecanismo do inconsciente para a vida normal do indivíduo.
Exemplo: um impulso libidinoso pode ser sublimado e dar ao indivíduo condições,
interesse e sentimento estético para se transformar num grande músico; um
impulso agressivo pode transformar um homem comum num ótimo pugilista, ou mesmo
ótimo jogador de futebol. Nesses exemplos, a música (ou atividade artística) e o
pugilismo ou futebol (também poderiam ser outras modalidades esportivas) são
objetivos substitutos apresentados pelo processo de sublimação: vem substituir
os objetivos "condenáveis" daqueles impulsos interiores.
Segundo Freud, que criou o termo, a sublimação é responsável por muitas "das
nobres aquisições do espírito humano".
Ao contrário de outros mecanismos de defesa, na sublimação os impulsos encontram
saída por via artificial. O impulso original desaparece quando a sublimação se
completa, porque a energia dele lhe é retirada, e encaminhada para o
objetivo-substituto.
SUPEREGO - É uma das três instâncias da personalidade na teoria
freudiana. O Superego é o conjunto de interdições, de defesas e de princípios
introjetados que vai se constituindo, progressivamente, no decorrer do tempo.
Uma idéia inconsciente não se traduz, necessariamente, em ato. Toda tendência,
todo desejo, toda aspiração não podem, com efeito, ser satisfeita, no mundo da
realidade, porque a integridade física e psíquica do indivíduo poderia ser posta
em perigo ao satisfazer um impulso que vai contra as normas da realidade
exterior. As forças da realidade do mundo exterior podem, portanto, opor-se a
exteriorização de um ato por interdições mais ou menos prementes. Segue-se um
verdadeiro conflito entre dois tipos de fòrças: de um lado, as forças internas
de origem inconsciente, de outro lado, as forças externas, conscientes.
Suponhamos que uma interdição seja bastante poderosa para impedir que o ato se
realize. O que será feito da idéia que sustentava o ato e que, em si mesma já
era um ato interior detentor de certa dinamismo? Não se pode imaginar que essa
idéia irá se dissolver sem deixar traços. Caso contrário não seria dinâmica. A
energia de que se acha revestida, não sendo utilizada, permanece disponível. Na
realidade, a idéia subsiste integralmente.
Com o tempo, todas as forças, todas as interdições, obrigações, em suma, tudo o
que constitui as contrapulsões, é assimilado pelo indivíduo. Elas acabam por
fazer parte integrante de seu psiquismo por um mecanismo de interiorização,
denominada introjeção. O Superego é, portanto, uma formação progressiva e não
uma instância psíquica inata e hereditária. Ele vai sendo constituído lentamente
durante a infância, sobretudo a partir do momento em que os impulsos instintivos
começam a encontrar as primeiras proibições impostas pelo mundo exterior. O
Superego é, portanto, formado de normas sociais interiorizadas, podendo ser
considerado como verdadeiro herdeiro dos pais. Com efeito, sobretudo durante a
primeira infância, os pais representam para a criança a principal fonte de
sanções, ameaças e oposições. Mas representam também um centro de segurança.
O Superego encontra-se, por conseguinte, na origem de segurança e insegurança
psicológica do indivíduo, como os sentimentos de culpabilidade e inferioridade.
Ele constitui um sistema defensivo normal e funciona sem que o indivíduo o
perceba. Ele tem por finalidade impedir a satisfação de necessidades quando essa
satisfação for de encontro ao que é moralmente condenável pela ética social que
o indivíduo interiorizou.
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Fontes: Espaço Terapêutico CorpoMente e Dicionário de Psicologia Prática