PARANÓIA - Delírio interpretativo que evolui de maneira progressiva com perfeita lógica aparente e sem enfraquecimento intelectual. A paranóia também pode ser definida como uma afecção mental que não tem por base a mania ou a melancolia e que em sua evolução contínua não oferece tendências para a demência propriamente dita. Na paranóia os limites entre a fantasia, e a realidade exterior são confusos, sendo que as idéias e a percepção chegam a ser utópicas, ilógicas, egocêntricas e milagrosas. Não há uma orientação do pensamento pela realidade, pela organização e a lógica. Freud propôs a teoria que os delírios paranóicos representam a negação das inclinações homossexuais inconscientes. A partir das conclusões de Freud, muitos psicólogos investigam as relações entre a paranóia e as inclinações homossexuais. Verificaram que alguns casos mostram paranóia e homossexualidade evidentes circunstância que alguns autores consideram a refutação da teoria de Freud, para quem a paranóia representava a negação de homossexualidade. No entanto, a coexistência da paranóia e homossexualidade não é contrária à teoria tradicional, já que a homossexualidade, que tem sua expressão numa conduta franca, pode não ter relação direta com as inclinações homossexuais que são negadas e projetadas desde o subconsciente. Por exemplo, ainda que um paciente se entregue a práticas homossexuais convencionais, terá que recorrer a mecanismos de defesa psicóticas contra os impulsos de sadismo e incorporação, mas inconscientes e totalmente inaceitáveis. Ainda que não tenhamos em conta o papel que podem representar as inclinações homossexuais na dinâmica de um indivíduo paranóico, é importante notar o desempenho dos impulsos hostis relacionados. De fato, muitos acreditam que o enfermo deve defender-se do amor homossexual não tanto por causa da censura social, mas principalmente porque o amor homossexual está unido a impulsos tremendamente hostis, que podem se tornar uma ameaça ao próprio indivíduo ou ao objeto do amor homossexual.
PERCEPÇÃO - A percepção é o processo de decodificar os estímulos que recebemos. Se as necessidades e motivações de um indivíduo, analisadas anteriormente, se concretizam, por vezes, na compra e no consumo, não se deve concluir daí que as forças internas do ser humano são suficientes para explicar o seu comportamento. A razão é simples: o que um consumidor compra depende, para além das suas necessidades mais profundas, dos produtos e serviços disponíveis no seu meio envolvente e do modo como os percebe. Além disso o conceito da "utilidade" da compra parece afastar-se cada vez mais da racionalidade.
Em termos gerais, a percepção pode ser descrita como a forma como vemos o mundo à nossa volta, o modo segundo o qual o indivíduo constrói em si a representação e o conhecimento que possui das coisas, pessoas e situações, ainda que, por vezes, seja induzido em erro. Percepcionar algo ou alguém é captá-lo através dos sentidos e também fixar essa imagem.
As relações entre o indivíduo e o mundo que o rodeia são assim regidas pelo mecanismo perceptivo e todo o conhecimento é necessariamente adquirido através da percepção. Dois indivíduos, da mesma faixa etária, que sejam sujeitos ao mesmo estímulo, nas mesmas condições, captam-no, selecionam-no, organizam-no e interpretam-no com base num processo perceptivo individual segundo as suas necessidades, valores e expectativas.
PROJEÇÃO - Mecanismo de defesa que atua como proteção contra a angústia;
exterioriza e atribui a outros os traços de caráter, as idéias, as atitudes, os
motivos e os desejos do próprio indivíduo, que ele rechaça e censura.
Encontram-se comumente indivíduos que criticam, nos outros, os defeitos que eles
próprios possuem - é mais ou menos o caso de se citar a frase popular "faça o
que eu digo, mas não faça o que eu faço". Assim sendo, o indivíduo acaba tendo
uma imagem do mundo exterior distorcida para si mesmo, já que esse mecanismo
pode fazer com que sejam desconhecidos fatores dinâmicos importantes da
personalidade.
Freud estudou o fenômeno da projeção, afirmando que uma percepção interna
exagerada (egoísmo feroz, desconfiança forte, etc.) é recalcada e, depois de uma
distorção, vem a projeção, na forma de uma percepção exterior.
PSICANÁLISE - Parte da psicologia que, apoiando-se nos métodos de
investigação e análise psicológica. procura descobrir no inconsciente do
paciente as tendências, desejos. complexos e tudo aquilo que perturba a sua
mente. trazendo à tona da consciência esses elementos perturbadores e revelando
consequentemente o mal para que se possa aplicar a psicoterapia.
A psicanálise compreende tanto a teoria freudiana dos fenômenos psíquicos, como
a técnica para estudar o inconsciente. O ponto de partida de Freud para o
estabelecimento de sua teoria foi essencialmente clínico. Em sono hipnótico, uma
paciente de Breuer e Freud revelou vários episódios de sua vida, sentindo-se
depois aliviada. Surgiu assim o método catártico, fundamental na terapêutica
psicanalítica. Dai Freud concluiu que os sintomas histéricos, (sua paciente era
uma histérica) são símbolos comemorativos de certos sucessos traumáticos da vida
pregressa do paciente, os quais podem deixar de perturbar a mente do indivíduo,
quando trazidos a luz da consciência.
Partindo dessas e de outras experiências, Freud construiu todo um sistema, onde
desempenha papel fundamental o conhecimento das diversas fases psíquicas do
desenvolvimento do indivíduo. Desde cedo Freud deu grande importância aos fatos
eróticos na formação da personalidade. Atribuiu todavia um sentimento bastante
lato à noção de libido e da própria sexualidade que, na concepção psicanalítica,
não se restringe ao âmbito da região genital, mas abrange toda uma série de
fenômenos relacionados com a obtenção do prazer corporal. Segundo a psicanálise,
a criança passa nos primeiros meses de vida por uma fase de sexualidade difusa
por todo o corpo, e que somente mais tarde se concentrará nas zonas erógenas.
Nos primeiros anos de vida a atenção da criança, sua tendência sexual, é atraída
por um dos pais: o menino pela mãe e a menina pelo pai. Todavia, sob a ação
repressora do meio ambiente, a libido infantil entra num período de latência e a
criança aprende a recalcar seus desejos e a escondê-los. Com o desenvolvimento,
o indivíduo se abre para os colegas do sexo oposto e supera as fases anteriores,
mas podem permanecer resquícios, em maior ou menor proporção, dessas
dificuldades sexuais infantis, determinando certas formas de conflitos psíquicos
ou de anormalidade na conduta sexual.
A psicanálise atribui ainda grande importância aos fenômenos do inconsciente.
Muitos dos atos de nossa vida, não apenas os instintivos, mas também os
aparentemente reflexivos, realizam-se sem que deles tenhamos consciência. Se os
impulsos e tendências do inconsciente são contrários à orientação da
consciência, eles não se realizam abertamente porque a censura os recalca. Mas
as tendências reprimidas não são eliminadas; continuam agitando 0 inconsciente e
provocando conflitos psíquicos.
A psicanálise tem por função exteriorizar essas tendências recalcadas. Mas como
o estudo do psiquismo não se baseia em dados concretos e claramente
demonstráveis, a psicanálise procura resolver problemas que ainda há pouco nem
sequer eram formulados e cuja existência é ainda, muitas vezes, contestadas.
Como os neuróticos são formados geralmente pela corresponsabilidade do indivíduo
e da sociedade, esta procura constantemente rejeitar as descobertas da
psicanálise que, direta ou indiretamente, condena certos comportamentos
coercivos de nossa estrutura social.
Não resta porém a menor dúvida que, enquanto a psicanálise descobre as origens
dos males psíquicos, ela revela os caminhos a serem seguidos para que o mal,
seja evitado ou remediado. Graças à divulgação dada por Jung e Adler, às
descobertas de Freud e Breuer, o ritmo proporcional de aparecimento de
neuróticos em nossa sociedade tem sido contido. Além disso resta a esperança de
que à medida em que essa "doutrina'" de análise psíquica for sendo vista com
mais naturalidade e menos desconfiança por parte dos responsáveis pela formação
dos indivíduos, a sociedade dos homens tornar-se-á mais livre e,
consequentemente, mais feliz.
O freudismo permanece ainda na concepção dominante em psicanálise, mas já passou
o tempo em que eclipsava todos os outros que se ocupavam do problema. Embora
após Freud, os psicanalistas tenham seguido rumos muitas vezes diferentes, a
doutrina psicanalítica depende hoje de outros grandes psicólogos como Erich
Fromm, Lipot Szondi, Adler e Jung, principalmente.
Cem esses sucessores de Freud, a psicanálise lançou novas luzes sobre o
inconsciente e pôs mais em relevo o papel deste, no conjunto da vida psíquica. É
preciso porém reconhecer que se a psicologia foi enriquecida e consideravelmente
renovada pela psicanálise, esta contribuiu para a perda acadêmica daquela.
Tratando com neuróticos e indivíduos mais ou menos anormais, o psicanalista é
levado a ver desequilíbrio em toda parte e, supondo-o, provoca-o. Em todo caso,
o domínio do inconsciente desvendado primeiramente por Freud, tornou-se hoje o
campo de estudo de outros grandes nomes de nosso século.
PSICASTENIA - Forma de psicose com fases de medo, ansiedade, sensação d.e
incapacidade e perda da personalidade, fraqueza intelectual e tendência mórbida
para dúvidas e hesitações. A psicastenia é uma afecção mental muito difundida,
que se caracteriza por uma redução na tensão psicológica, e cujos principais
sintomas são a depressão física e moral, um sentimento de falta de alguma coisa
e perda do sentido da realidade, com uma tendência patente às obsessões, às
manias e aos fenômenos ansiosos. A denominação de psicastenia foi dada por Pedro
Janet. a um conjunto de fenômenos neuróticos que correspondem clinicamente a
afecções e estados bem adversos: psicopatias, neuroses, esquizofrenia, etc.
Janet distinguiu-a, porém, da histeria e de outras neuroses. Segundo ele, a
psicastenia seria uma alteração de uma função geral, a função da realidade, fato
que provoca substituição da realidade presente por operações de derivação
inferiores e desproporcionadas como dúvidas, angústia e obsessões.
PSICODRAMA - Técnica psiroterápica que utiliza a improvisação de cenas
dramáticas s6bre determinado tema, por um grupo de indivíduos (crianças ou
adultos) que apresentam distúrbios nervosos similares. Os psicoterapeutas
participam, habitualmente, desse jogo dramático, analisando-o e orientando-o. No
Psicodrama, utiliza-se o papel de tarefa explícita e o jogo de um personagem ou
de vários. É então o jogo de um papel no grupo.
No que se refere à terapêutica do grupo, é necessário mencionar esta invenção de
J. L. Moreno que necessitou de todo um material e realizou uma verdadeira cena
de teatro. O sujeito pode ser normal ou doente. Há um chefe de grupo que deve
solicitar as reações e fornecer as interpretações, considerado o terapeuta
principal. Há, contudo, terapeutas auxiliares requisitados, eventualmente, como
protagonistas da ação. Existe, também, um público que vai representar a reação
social. Procede-se, antes, a uma discussão preparatória sobre um tema, depois do
jogo dramático começa. O indivíduo representa uma cena ou um papel,
preferencialmente, de um membro de sua família ao qual substitui. Terminada a
cena, sua discussão se efetua.
É necessário aptidão especial para preencher o papel de chefe do jogo e nesse
sentido a personalidade de Moreno facilitou seu emprego, ressaltando-se a
facilidade com a qual os enfermos entram no esquema sugerido. O Psicodrama é
pouco praticado na França, onde se empregam técnicas da mesma inspiração.
Na técnica de Moreno, objetivada em numerosas divergências, o conflito cuja
importância se manifestou durante a discussão em grupo, é, no sentido literal do
termo, "representado" e dramatizado. Quando acontece, por exemplo, que um membro
da equipe analisada, em certo momento de sua vida, teve intenção de cometer um
grave comportamento e que estas idéias parecem possuir ainda uma certa carga
afetiva, é-Ihe posta a oportunidade de realizá-lo livremente numa rápida
interpretação teatral. Procede-se, então, à encenação. As cenas são dispostas de
tal modo, que apresentam um cunho de realidade. O paciente pode assim "viver" o
comportamento patológico de maneira tão completa quanto possível, como se o
tivesse efetuado realmente.
Moreno chega, assim, a realizar cenas dramáticas, realmente vividas, das quais
dificilmente se pode fazer uma idéia, lendo friamente a narrativa. Também os
outros elementos do grupo sofrem uma forte impressão. Percebe-se, de imediato,
os princípios terapêuticos colocados em prática por este método e a forte
descarga afetiva que produz. Admite-se em princípio, que a cura pode ser obtida,
não unicamente pelo desatar dos complexos e das dificuldades "passadas", mas,
principalmente, ao exteriorizar e examinar, num quadro social real, as
dificuldades atuais de adaptação à vida. A contribuição do psicodrama, na
terapêutica de grupo, parece, assim, um aspecto promissor no campo da
psicanálise.
PSICOPATOLOGIA - Tem-se definido a psicopatologia por diversas formas; "o
estudo científico das alterações mentais do ponto de vista psicológico" ou "a
investigação sistemática dos estados mentais mórbidos", e "o ramo da ciência que
trata da morbidez e patologia da psique ou mente". Em linguagem menos técnica
poderia dizer-se que a psicopatologia é o estudo de sinais e sintomas das
dificuldades mentais.
Consideram-se os seguintes aspectos da psicopatologia: 1) classificação, 2)
psicodinâmica, e 3) psicogenese. A classificação refere-se a ordenação dos
sinais e sintomas de dificuldade mental por grupos ou tipos de significação. Em
alguns casos, a classificação leva a importantes distinções que tem implicações
tanto para o tratamento como para o prognóstico; em outros casos, seu medo
reside em constituir um recurso para fins comunicativos e estatísticos. De
qualquer forma, a descrição e classificação adequadas cumprem um importante
papel ao contribuir na interpretação de enfermidade, e podem dar as bases para
determinar medidas de prevenção positivas. A psicodinâmica se refere em essência
ao significado funcional dos aspectos emocionais e de motivação da conduta,
incluindo as determinantes conscientes e inconscientes. A base argumental da
psicodinâmica é que a conduta está dirigida a um fim e motivada por impulsos,
necessidades e forças das quais nem sempre se tem consciência. Isto implica que
o homem, ainda que se considere um ser racional, está governado com freqüência
por forças que não compreende nem reconhece. As explicações racionais que dá de
seu comportamento podem ter escassa relação com as motivações que em realidade o
determinam. Mais ainda, as razões conscientes "aceitáveis" de sua conduta podem
estar em conflito com as que se encontram fora do âmbito de sua consciência.
Muitos sintomas podem ser considerados como resultado de tal conflito e a
angústia que o mesmo precipita. A compreensão da psicodinâmica do paciente
individual só se logra através de uma exploração intensa. O esclarecimento da
psicodinâmica requer em geral técnicas tais como a observação direta, a
entrevista. a revisão biográfica do indivíduo, os testes psicológicos, a
interpretação de sonhos e fantasias, e outros métodos de investigação menos
utilizados (hipnoses, entrevistas diante dos efeitos do amital, etc.). Sem
dúvida, apesar da especificidade da psicodinâmica de um indivíduo. são possíveis
as abstrações e generalizações que relacionam certos sintomas com suas prováveis
motivações. A psicogenese trata da origem ou começo das alterações, mais que de
sua expressão atual. A psicogenese se refere essencialmente àquelas experiências
da vida que estabelecem provavelmente as normas de motivação descritas em
"psicodinâmica". Uma suposição fundamental implícita é que as próprias normas d
motivação se estabelecem e derivam principalmente de experiências anteriores,
sobretudo nos primeiro cinco anos de vida. (O reconhecimento da primeira; parte
da vida na formação da personalidade é aceita em geral como uma das principais
contribuições de Freud. Hoje, poucos discutem o efeito das diferença: de opinião
com respeito a das as variáveis pertinentes. Em recentes investigações em
animais se tem evidenciado a influência precoce, o que demonstra que existem na
realidade no animal jovem períodos específicos de elevada sensibilidade que tem
significação no desenvolvimento social, intelectual e emocional posterior.
Durante esses chamados "períodos críticos", a presença ou ausência de certos
tipos de experiência ou de conhecimento tem efeitos decisivos, sobretudo no
terreno de socialização). Esta presunção não nega que os fatores genéticos ou
somáticos podem ser determinados da conduta anormal, nem que as experiências
ulteriores da vida modifiquem normas de comportamento estabelecidas na idade
anterior. Porém destaca-se a importância dos fatores psicológicos ou próprios da
experiência anterior que estão relacionados com o sintoma que se estuda. Ao
estudar as relações entre as primeiras experiências ulteriores deve-se
reconhecer que a pessoa é sempre produto da ação recíproca entre seu potencial
gênico (hereditário) e o ambiente em que vive. Sem dúvida, quando existe uma
patologia orgânica específica, a psicogenese intenta especificar a contribuição
da experiência à patologia de que se trata.
PSICOSE - Alteração grave na função psicológica do indivíduo, que
acarreta deficiência na capacidade para distinguir, avaliar e apreciar a
realidade. A psicose diferencia-se quantitativamente das demais psicopatias e
das neuroses. No entanto a fenomenologia mostra a ocorrência de modificações
qualitativas, mesmo em casos aparentemente de puro desvio quantitativo. Todavia,
a complexidade desses fenômenos torna, na maioria das vezes, difícil uma
classificação precisa. O exemplo mais expressivo de psicose é o da paralisia
geral, doença encefálica de etiologia filítica, que altera profundamente a vida
psíquica de um indivíduo até então completamente normal, determinado fenômenos
como a demência, delírios e outros, não deriváveis de sua personalidade, nem
explicáveis por quaisquer condições psicológicas ou sociais. Contudo, no caso de
muitas anomalias classificadas geralmente como psicoses, diversos estudiosos
indicaram a influência de fatores sociais. O conceito de psicose implica ainda
uma grande dificuldade de precisão. Investigações fisiológicas e psicológicas
até agora realizadas tornam cada vez mais consagrado o conceito de Griesinger,
de que as doenças mentais são doenças cerebrais. Esquematicamente, as psicoses
dividem-se em exógenas e endógenas. Nas exógenas, há causas externas, como
tóxicos, infecções etc., ou internas, como doenças de certos órgãos, distúrbios
do metabolismo geral etc. São as demências, os estados crepusculares, os
delírios confusionais e outras afecções, se manifestam de forma não específica,
em conseqüência das mais variadas etiologias. Entre as psicoses endógenas
figuram a esquizofrenia, a psicose maníaco-depressiva e as perturbações mentais
da epilepsia propriamente dita. A psicose maníaco-depressiva se manifesta por
acessos de excitação psíquica (mania) alternados com acessos de depressão
(melancolia). Suas principais características são: evolução curável, ausência
habitual de enfraquecimento intelectual e ausência de causa aparente. Seu
prognóstico, particularmente o dos acessos melancólicos, modifica-se em virtude
dos tratamentos de choque. As psicoses de guerra diferenciam-se da neurose de
guerra, de acordo com a própria diferenciação específica entre psicose e
neurose. Enquanto as neuroses de guerra são muito comuns em todos os conflitos
armados, como conseqüência do impacto extraordinário dos acontecimentos sobre o
sistema nervoso dos participantes do conflito, a psicose de guerra, constitui
uma perturbação mais séria e que ocorre em um número menor de casos, embora
também se tornado mais ou menos freqüente nas guerras modernas. As duas últimas
grandes guerras tornaram problemas particularmente agudos e determinaram
numerosos estudos, no sentido de se proporcionar uma assistência psiquiátrica
aos combatentes.
Nas psicoses imaginativas agudas observa-se a eclosão súbita de uma fabulação
sobre vários temas ricos em detalhes, em aventuras, freqüentemente relatados com
entusiasmo. Estas erupções imaginativas surgem, quase sempre, em uma
constituição mitômana e histérica. Há também, as psicoses confuso-oníricas, que
se caracterizam pela obnubilação da consciência, que pode ir desde o simples
embotamento até um estado de estupor próximo à coma, pela desorientação
temporo-espacial em diversos graus e pelo delírio onírico, que é uma forma de
experiência psíquica semelhante a dos sonhos. No último caso o indivíduo é
vítima de uma sucessão de alucinações visuais que constituem uma série de
imagens descontínuas ou um encadeamento de visões de temas místicos, eróticos
etc. Também entre os estados de psicoses confusionais encontra-se a síndrome de
Korsakov. Assim se denomina uma síndrome confusional em que predomina a amnésia
de fixação, a fabulação e os falsos reconhecimentos, aos quais se associa uma
polìneurite (neurìte que ataca diversos nervos). A característica mais
importante da síndrome de Korsakov é a polineurite dos membros inferiores. A
causa mais freqüente desta síndrome é o alcoolismo crônico. sobretudo na mulher.
Também aparecem como causas freqüentes a tuberculose, os tumores cerebrais, os
traumatismos cranianos e as intoxicações por estupefacientes, ou por
medicamentos (principalmente aqueles que contém óxido de carbono. A fase inicial
da síndrome de Korsakov se caracteriza por um intenso escato confusional, com
cefaléias, insônia, transtornos no humor e no caminhar e dores diversas. Estes
sintomas podem ser o primeiro estágio de uma caquexia fatal (debilidade ou
extrema fraqueza do indivíduo).
PSICOTERAPIA - A Psicoterapia pode ser definida como "o tratamento dos
problemas e transtornos psíquicos do indivíduo por meios psicológicos" (Noyesl
ou como "o conjunto de procedimentos de tratamento agudo, direto ou indireto,
sobre os estados mórbidos do psiquismo segundo um processo psicológico" "Deshaies).
Qualquer definição da psicoterapia compreende dois itens fundamentais.
- a existência de um estado mórbido;
- um processo psicológico, que envolve a ação do terapeuta sobre o psiquismo do
doente e a reação do psiquismo a essa ação.
Além da presença de um estado mais ou menos patológico no sujeito - geralmente
no plano mental, mas às vezes também no plano físico - há a assinalar uma
segunda condição prévia para a aplicação de psicoterapia: a insuficiência de um
tratamento físico.
O objetivo da psicoterapia é o de melhorar ou curar o doente, e seus meios são
de natureza psicológica, mas acompanhados freqüentemente de acessórios físicos.
Formas de psicoterapia: o tipo de psicoterapia deve variar segundo a natureza
dos problemas do enfermo, o diagnóstico, a idade do sujeito, sua maturidade,
emocional, sua situação social e familiar, e, também, de acordo com a
especialização e habilidade do próprio terapeuta. Do ponto de vista das
diferentes situações em que é realizado o tratamento, podemos distinguir três
formas gerais de psicoterapia: individual, coletiva (ou de grupo) e
institucional (realizada em "casas de saúde" e outras instituições em que
costumam ser internadas as pessoas portadoras de doenças psíquicas).: o tipo de
psicoterapia deve variar segundo a natureza dos problemas do enfermo, o
diagnóstico, a idade do sujeito, sua maturidade, emocional, sua situação social
e familiar, e, também, de acordo com a especialização e habilidade do próprio
terapeuta. Do ponto de vista das diferentes situações em que é realizado o
tratamento, podemos distinguir três formas gerais de psicoterapia: individual,
coletiva (ou de grupo) e institucional (realizada em "casas de saúde" e outras
instituições em que costumam ser internadas as pessoas portadoras de doenças
psíquicas).
Em relação à maneira de entender a própria natureza, os fins e os limites do
tratamento, bem como as técnicas e processos específicos a serem utilizados em
cada caso, há grande variedade de concepções entre os psicólogos e psiquiatras,
de acordo com as diversas escolas ou correntes psicológicas a que se filiam ou
em que se inspiram. Entre as principais modalidades de psicoterapia - cuja
aplicação varia de caso para caso e de autor para autor - podemos enumerar: a
Psicoterapia de Apoio, as diversas modalidades de Psicoterapia Hipnótica e de
Psicoterapia Analítica (Freud, Jung, Adler), a Psicagogia de Kronfeld, a
Psicoterapia de Shultz, a Psicoterapia Estrutural de Birnbaum, a Psicoterapia
Dialética de Kunkeu, a Psicoterapia Exìstencìal de Binswanger, Sarter e outros,
a Psicoterapia Psicobiológica de Meyer, a Psicoterapia Não-Direta de Rogers.
PSICOTRÓPICOS - Substâncias químicas que atuam sobre as funções
psíquicas, modificando o comportamento do indivíduo.
Os psicotrópicos são capazes de agir sobre o sistema nervosa, alterando o
conjunto de atitudes e reações de uma pessoa. De acordo com o tipo de reação que
produzem, os psicotrópicos dividem-se em: excitantes, depressores e
alucinógenos. Os primeiros produzem um tipo de excitação, os segundos um estado
de relaxamento ou repressão e os últimos um estado de sonho ou delírio.
No grupo dos excitantes, entram as substâncias que estimulam a atividade mental.
Estas drogas podem facilitar o esforço intelectual, mas dificultam o sono,
trazendo, como efeito colateral, um estado de prostração, quando termina seu
efeito. Se aplicadas devidamente, algumas podem ajudar a erguer pessoas
deprimidas, e chegam mesmo a representar uma certa vantagem sobre os antigos
tratamentos à base de choque elétrico. Os excitantes, ou antidepressores, são
drogas ativadoras do funcionamento cerebral, geralmente euforizantes e
suscetíveis de provocar hábito. Suprimem a sensação de fadiga, sobretudo a
necessidade de sono, reforçam o dinamismo psíquico e desenvolvem uma tendência à
euforia. Doses mais elevadas destas drogas podem provocar ansiedade, confusão
mental e alucinações.
Os agentes depressores, os tranqüilizantes, são utilizados no tratamento de
pacientes que se encontram em constante estado de excitação, ou que padecem com
oscilações no estado emocional. Alguns possuem efeitos suaves e são aplicados
nos casos de excitação da vida diária. Outros, porém, tem uma atuação
psicológica e neurológica. atuando, portanto, sobre determinados centros
cerebrais. São capazes de reduzir violentos distúrbios emocionais e controlar os
estados de tensão. Permitem, também, o controle de estados de agitação e
turbulência, agressividade e furor. Outros, ainda, são tão eficazes que se
aplicam nos estados alucinatórios e delirantes, nas psicoses agudas e crônicas.
O ópio e seus derivados, que se encontram no grupo dos depressores, são
geralmente contra-indicados nos estados crônicos de ansiedade psicossomáticos e
especialmente em todos os enfermos em que possa desencadear uma apetência
toxicomaníaca (personalidades psicopáticas, perversas, etc.).
Um outro tipo de psicotrópicos é constituído pelos alucinógenos, que são
substâncias que geram desvios na atividade mental. Distorcem a apreciação dos
valores da realidade e fazem o indivíduo sonhar acordado. Sua utilização pela
medicina é muito restrita, devido aos perigos que oferece. podendo conduzir não
apenas ao hábito, mas também a formas diversas de loucura. Entre os alucinógenos
estão a mescalina e o LSD. Ultimamente, os alucinógenos têm tido um interesse
muito mais experimental que prático, na psiquiatria. Recentemente, tem sido
utilizados com o propósito de uma terapia, que se poderia chamar homeopática.
Estas drogas têm efeitos, que às vezes, são utilizados para lutar contra os
transtornos que elas próprias provocam. Estas subst2ncias têm a capacidade de
levar um indivíduo normal a um estado onírico, verdadeira psicose experimental.
No entanto, a indução de psicoses experimentais e sua evolução dirigida por
agentes farmacológicos, embora contraditórias, permitem esperar resultados
substanciais para a psicopatologia e terapêuticas psiquiátricas.
Fontes
Espaço Terapêutico CorpoMente
Dicionário de Psicologia Prática
Portal do Marketing