ID - Na perspectiva freudiana, o Id é uma das instâncias ou níveis da
personalidade. É a parte fundamental, animal, de onde brotam todas as energias
instintivas. É a parte que dá à personalidade seu dinamismo de base. O Id é o
reservatório da libido, visto como fonte e quantidade de energia colocada à
disposição dos instintos e, mais particularmente, do instinto sexual.
O Id procura o prazer libidinal e apresenta as características de amoralidade,
de irracionalidade e de independência de suas forças. Na realidade, o Id quase
não se distingue do inconsciente. Atribuem-se-lhe ainda as mesmas
características e, mais ou menos, as mesmas funções desempenhadas pelo
inconsciente. Para muitos teóricos, aliás, o Id é apenas uma parte do
inconsciente. Justificam esta afirmação pelo fato de o inconsciente conter outra
instância, o superego. Essa divisão não se baseia em um conteúdo mas em uma
unidade funcional, sendo o Id considerado como uma função do inconsciente.
IDENTIFICAÇÃO - Processo pelo qual o indivíduo se liga a outra pessoa, ou
a um grupo de pessoas ou a objetos. O indivíduo se assemelha a alguém, no
pensamento ou no comportamento, através da integração de uma imagem exterior em
seu próprio eu. Os membros de uma família têm, em geral. identificação forte e
durável entre si, enquanto o espectador (ou a espectadora) pode também
identificar-se com o herói (ou a heroína) de um filme ao qual está assistindo.
Um menino aceita e adota padrões recebidos do pai, enquanto a menina se
identifica mais com sua mãe. Pelo fenômeno dessa relação íntima, nosso eu pode
sentir como se ocorresse conosco aquilo que na realidade ocorre com outra pessoa
(ou grupo de pessoas) com quem nos identificamos: tristezas e alegrias de outrem
como que são "abrangidas" pelo nosso eu. Parece que temos muito mais facilidade
de nos identificarmos com pessoas que apresentam características semelhantes às
nossas. Por outro lado, aspiramos também nos identificarmos com pessoas
superiores, ou de beleza física, ou de maiores dotes intelectuais, ou de
"status" social mais elevado etc. Essa "aspiração" de características e
qualidades externas se faz mais ou menos inconscientemente e é muito importante
para a formação da personalidade.
No campo da psicopatologia, a identificação imaginária é o procedimento que
caracteriza o eu neurótico: o indivíduo sádico-masoquista se identifica com um
agressor ou um adversário, o histérico se identifica com um doente.
Freud considera o processo da identificação muito importante na infância, quando
se desfaz e se dessexualiza o complexo de Édipo. O menino se identifica com o
pai, se bem que a mesma teoria freudiana. afirma ser o pai uma das fontes mais
atuantes de frustração para o filho. De qualquer forma, porém, a identificação
constitui um mecanismo de defesa importante: para dominar a angústia, o menino
se identifica inconscientemente com o pai (que surge como "rival" dele, e uma
fonte de ameaças, no complexo de Édipo). Dessa maneira, o pai é "interiorizado"
no ego do menino, que o considera como sendo o ego ideal; em outras palavras,
verifica-se o mecanismo da "introjeção". A identificação se faz na criança
primeiro com relação aos pais, porque eles estão muito comumente em contato
diário com ela, e porque eles lhe parecem "onipotentes", durante os anos
iniciais de vida; depois, alargando seus conhecimentos e ampliando o volume de
pessoas de suas relações, a criança passa a se identificar também com outros
seres, desde que o comportamento e as qualidades dessas outras pessoas estejam
na linha dos desejos da criança. Crescendo, continua o processo de novas
identificações, e o indivíduo pode então identificar-se a aspectos (ou traços)
de parentes e amigos ou simples conhecidos, também a idéias abstratas, a
objetos, a animais etc., sempre buscando inconscientemente, com isso, a reduzir
tensões ou a "recuperar" algo perdido.
O mecanismo da identificação (juntamente com outros mais) é importante na
formação da personalidade; bem assim é uma forma de o indivíduo vencer
frustrações, conflitos e ansiedades.
ILUSÃO - Aparência falsa, tomada como percepção exata. A ilusão também
pode ser definida com u. engano dos sentidos ou da mente, como uma interpretação
errônea de um fato ou acontecimento, o ainda, como um engano que faz tomar uma
coisa: por outra, a aparência pela realidade, o falso pé verdadeiro. As ilusões
dos sentidos constituem fenômeno bastante comum. Quanto mais apurado é u:
sentido, mais sujeito está ao erro. A visão, que servida por um órgão de extrema
complexidade, apresenta as ilusões mais conhecidas e numerosas. Os pintores de
Renascença já conheciam a ilusão de ótica, que aproveitavam para sugerir maior
profundidade, ou para efeitos de várias naturezas. A ilusão de ótica é
freqüentemente aproveitada por pintores, arquitetos, costureiros, propagandistas
etc. A audição está menos sujeita a ilusões que a visão. Mesmo assim, às vezes o
cérebro recolhe como sons, estímulos de outra natureza. O paladar também dá
origem a diversas ilusões. Depois de comer um doce, um pessoa adoçará o café com
mais açúcar, pois do contrário o café lhe parecerá amargo. No campo da
sensibilidade tátil foram observadas várias ilusões. Temos, por exemplo, a
ilusão de Aristóteles, que consiste em perceber duas esferas pequenas entre a
extremidade dos dedos indicador e médio, cruzados, quando aí tenha sido colocada
apenas uma esfera. Nos psicopatas, as ilusões cios sentidos, geradas por
mecanismos semelhantes aos das pessoas normais, tornam-se muitas vezes
obsessivas.
IMPULSO - Estímulo que possui força para levar o indivíduo a fazer
determinada ação. Qualquer estímulo pode vir a ser um impulso, desde que tenha
uma intensidade que provoque a ação. O impulso leva o indivíduo a ter
determinado comportamento ou a reagir de determinada maneira, até que o estímulo
venha a ser reduzido ou eliminado, graças à ação provocada.
Para Freud, a personalidade do ser humano é formada de três partes integradas e
constituindo um sistema dinâmico de energia psicológica: o id, o ego e o
superego. A única fonte de toda energia psicológica (libido) é o id, energia
essa que se apresenta como instinto a impulsionar o organismo. No dizer de
Freud, os impulsos do id são exigências "primitivas, cegas, irracionais,
brutais", que procuram a satisfação imediata. Daí a existência do ego e do
superego, os sistemas de forças que controlam e censuram os impulsos básicos.
Há impulsos primários (básicos) e secundários (adquiridos). Os primários estão
ligados ao processo fisiológico e sua redução ou eliminação é necessária para a
sobrevivência. Consideram-se impulsos básicos a fome, a sede, a respiração, o
sexo (alguns psicólogos, porém, não incluem o sexo como impulso realmente básico
para a sobrevivência).
Os impulsos secundários são derivados dos básicos, ou adquiridos durante a vida
e a aprendizagem que nela ocorre. O medo, por exemplo, é em geral aprendido,
pois ficou provado que as crianças não sentem medo como os adultos. São as
sugestões de reação frente à situação tida como perigosa, ou a adoção de padrões
seguidos por outras pessoas, que provocam a maior parte dos tipos de medo. Por
outro lado, dos impulsos primários podem derivar alguns secundários - daí se
verifica como a psique humana é complexa. Em nossa vida, estamos permanentemente
aprendendo a reduzir ou a eliminar os impulsos, e pela freqüência com que somos
obrigados a certo comportamento acabamos tendo as ações correspondentes a
determinados impulsos, antes mesmo que eles se manifestem plenamente. É como se
agíssemos - ou melhor, agimos de fato - automaticamente ou antecipadamente, o
que provoca um às vezes quase desconhecimento do impulso primário respectivo,
que entretanto existe. Exemplo: na hora certa, vamos tomar nossa refeição,
evitando portanto o surgimento da fome.
INCONSCIENTE - Segundo Freud e Jung, o inconsciente é um dos três níveis
do psiquismo onde permanecem os processos, as idéias e sentimentos que não podem
ser trazidos voluntariamente à tona e à luz da consciência. Quando algo se torna
inconsciente não adianta apenas querer que ele deixe de ser inconsciente. Para
trazê-lo ao nível consciente são necessárias técnicas mais poderosas que a
simples vontade, como por exemplo, o hipnotismo, a sugestão ou a psicanálise.
Jung distingue dois tipos de inconsciente: pessoal e coletivo. Para o discípulo
de Freud, o inconsciente pessoal é a camada superficial do inconsciente. O
inconsciente pessoal contém tudo o que esquecemos: sentimentos reprimidos,
impressões da infância, sonhos etc. No inconsciente pessoal encontra-se o que
Jung denomina complexo. Para ele, um complexo é um conjunto de idéias carregado
de energia e que tem uma vida autônoma. É, por assim dizer, um sistema complexo
alojado no psiquismo humano que forma uma personalidade no interior da
personalidade global. Este sistema se exprime principalmente nos sonhos onde se
manifesta sob o disfarce de personagens. Desde que os sistemas não têm ligação
entre si, a saúde mental pode ser posta em perigo. Pode igualmente estar em
perigo quando um complexo se põe a reativar elementos profundos do inconsciente.
Esses elementos profundos são denominados arquétipos.
Jung distingue dois tipos principais de complexos: de Persona e de Sombra.
No primeiro caso, considera-se que o indivíduo tem várias máscaras bem
diferentes. A pessoa não pode ser, em nenhum momento, a totalidade de sua
personalidade consciente e inconsciente. Estas máscaras são conscientes, mas, se
elas se desviam muito do inconsciente, haverá rebelião e conflito.
No segundo caso, isto é, no complexo denominado 6ombra, encontra-se um conjunto
de tendências fracas e muito pouco adaptadas da personalidade. Nesse complexo
estão contidos os desejos que não podem ser aprovados pelo eu consciente,
principalmente as tendências sexuais e agressivas.
A Sombra é, então, uma personalidade no interior da personalidade e que força o
consciente a certos atos perigosos para o indivíduo.
Inconsciente coletivo: Jung denomina inconsciente coletivo de conjunto da
imagens primordiais, representações primitivas que são heranças de geração e que
constitui as traços coletivos verificados no interior do psiquismo de cada
indivíduo. A estas imagens primordiais, que se encontrariam no interior de cada
pessoa, Jung dá o nome de arquétipos. Jung denomina inconsciente coletivo de
conjunto da imagens primordiais, representações primitivas que são heranças de
geração e que constitui as traços coletivos verificados no interior do psiquismo
de cada indivíduo. A estas imagens primordiais, que se encontrariam no interior
de cada pessoa, Jung dá o nome de arquétipos.
Para ele os arquétipos não são jamais conscientes. Não provém, absolutamente, de
uma experiência pessoal do indivíduo. O discípulo de Freud afirma que os
arquétipos são as lembranças que se propagam na sábio, da mãe, da criança herói
etc.
Com efeito, analisando certos elementos da raça alemã, Jung encontrou o
arquétipo do deus alemão da guerra, da violência: Wotan. Em todos os tempos,
explica Jung, os homens tiveram um arquétipo de deus a quem adoraram. Há, ainda,
o arquétipo do velho sábio, da mãe, da criança herói, etc.
Esses arquétipos, que, segundo Jung, são inconscientes, exprimem-se por símbolos
que chegam ao consciente e podem invadir os sonhos ou se traduzir em mitos.
INSTINTO - Conforme a Psicanálise freudiana, o instinto inconsciente
serve para impulsionar o organismo, e se constituí em energia psíquica (libido),
que provém do Id. Toda energia básica, no campo psicológico, provém do id, e são
os instintos do id. Essas forças psíquicas muitas vezes entram em conflito com
as do ego e as do superego (que são outros sistemas do ser humano concebidos por
Freud e que tem por função exercer controle consciente - o ego; e censura - o
superego), causando o aparecimento de angústia.
Os instintos são inatos, e podem ser considerados especialmente em dois grupos
principais: os ligados á sobrevivência e à propagação, chamados por Freud de
"instintos da vida" (fome, sede, sexo); e os ligados aos impulsos de destruição,
chamados "instintos da morte", e que se caracterizam pela forma de
agressividade.
Os instintos são tidos como fatores que movimentam a personalidade, determinando
o comportamento do indivíduo, preparando-o e dispondo-o para ficar mais sensível
a certo estímulo e não a outros, num dado momento. Assim, tem-se que a sede é
representada psicologicamente como um desejo de beber líquido, enquanto que
organicamente é uma condição de deficiência, uma necessidade de ingerir líquido.
Freud diz que o instinto é a "medida daquilo de que a mente precisa para
funcionar", e da soma dos instintos resulta uma quantidade de energia psíquica,
"estocada" no id (que é a sede originária dos instintos) e à qual a
personalidade pode recorrer, quando for conveniente ou necessário.
Distinguem-se quatro aspectos no instinto: uma fonte, uma finalidade, um objeto
e um impulso. O primeiro aspecto -- fonte do instinto - é a condição ou a
necessidade orgânica, isto é, do corpo; exemplo: necessidade de ingerir água. A
finalidade diz respeito a remover a excitação provocada no corpo; exemplo:
ingerir o líquido. O terceiro aspecto - objeto - se refere tanto à coisa em si
ou à condição em si que pode satisfazer a necessidade, como também ao
comportamento que pode garantir essa coisa ou condição; exemplo: se um indivíduo
sentir sede e tiver de tirar água do poço, essa ação também faz parte do objeto,
além da água em si. Finalmente, a intensidade da necessidade configura o impulso
do instinto, que é sua força. Assim, se um indivíduo for submetido a dois dias
sem beber, terá maior sede que outro em condições normais, e portanto aquela
deficiência orgânica provocada pelo tempo passado sem ingerir água fará com que
a força do instinto aumente. A fonte e a finalidade do instinto são constantes a
vida inteira (a fonte porém pode ser modificada ou eliminada pela idade), ao
passo que o objeto pode variar, e aliás é normal que varie bastante durante a
vida: se um determinado objeto não pode ser alcançado pelo indivíduo, a energia
psíquica que ele empregava com esse fim vai ser aplicada visando a outro objeto,
e dessa forma os objetos podem ser substituídos. Deve-se notar ainda que esse
deslocamento de energia. de um determinado objeto para outro, constitui um dos
mais importantes aspectos da personalidade. Daí existirem mecanismos na mente
humana, como o da identificação e o da sublimação, que atuam com deslocamentos
da energia psíquica.
Pela concepção freudiana, o instinto visa a reduzir tensões, ou seja, visa a
fazer com que o indivíduo volte ao estado anterior ao aparecimento do próprio
instinto: sentir desejo de beber líquido, para voltar ao estado de não sentir
sede. Quando o indivíduo sentir sede novamente, ou seja, a excitação da sede,
vai ter de beber líquido de novo para regressar ao estado de "repouso", isto é,
de não-sede. Portanto o aparecimento do instinto, ou de certos instintos,
repete-se sempre que as circunstâncias se repetem, surgindo a excitação e
terminando com o repouso, o que foi chamado por Freud de repetição compulsiva.
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Fontes: Espaço Terapêutico CorpoMente e Dicionário de Psicologia Prática