CATALEPSIA - Estado de plasticidade motora no qual o indivíduo conserva as posições que lhe são dadas, como se se tratasse de um boneco de cera (flexibilidade cerosa). Os músculos tornam se como que mecânicos. A catalepsia pode ser observada, sobretudo, na demência precoce e no sono hipnótico. Caracteriza-se por uma perturbação psicomotora. que consiste na cessação brusca dos movimentos voluntários, sem que haja lesão dos músculos, e na manutenção da atitude ou posição em que se encontrava o paciente no momento do ataque. Durante a perturbação o doente conserva o uso perfeito das faculdades, da inteligência e da percepção, mas fica impossibilitado de responder às questões que lhe são propostas. Os membros se tornam moles, mas não ha contrações, embora os músculos se apresentem mais ou menos rijos. A catalepsia ocorre em determinadas doenças nervosas, debilidade mental, histeria, intoxicações e alcoolismo.
CINESTESIA - É o sentido do movimento corporal e da tensão muscular,
provocados pelas forças mecânicas que influenciam os receptores nos músculos,
nos tendões e nas articulações.
A cinestesia - literalmente, "sensibilidade ao movimento" - é um dos nossos
sentidos fundamentais. Dá informações a respeito dos movimentos das estruturas
físicas, do levantamento dos braços, das rotações do globo ocular, do ato de
engolir; informa, em suma, a respeito de todas as ações motoras. Além disso, é
responsável pela sensação de tensão e de esforço muscular.
Os estímulos físicos para as sensações cinestésicas são forças mecânicas que
atuam sobre os receptores localizados nos músculos, nos tendões e nas
articulações do corpo. A medida que os músculos funcionam, modificando as
posições das partes do corpo, diversos padrões de pressões, nesses receptores,
fornecem a informação essencial para a orientação da ação motora. Há uma grande
interação entre essas sensações cinestésicas e outros aspectos de nossa
experiência perceptual. A percepção visual da distância, por exemplo, inclui,
entre outras coisas, uma síntese completa de informações das retinas e do
movimento dos músculos dos globos oculares.
Normalmente, não nos damos canta do papel das sensações cinestésicas em nosso
comportamento. Sua importáncia se revela, porém, e de modo dramático, nos casos
em que vem a falhar. Certas pessoas podem apresentar doenças em que perdem, em
caráter permanente, as sensações cinestésicas de certas partes do corpo - as
pernas, por exemplo - em conseqüência da destruição dos nervos sensoriais
essenciais. Pode-se então observar que estas pessoas, ao caminhar, arrastam com
dificuldade os pés e olham continuamente para eles. Sem essa orientação visual,
não seriam sequer capazes de se locomover, pois não dispõem de uma informação
cinestésica direta sobre o que está ocorrendo com os músculos da perna.
Estreitamente ligadas às sensações cinestésicas estão as "sensações
vestibulares", responsáveis pela percepção do movimento espacial e da orientação
do corpo como um todo, ou seja, as sensações relacionadas com o "sentido do
equilíbrio".
COMPENSAÇÃO - Mecanismo de defesa que tem por objetivo alcançar uma
diminuição da ansiedade surgida de situações de inferioridade (real ou
imaginária) e de assegurar o indivíduo em relação aos demais.
A inferioridade é o fundamento dos mecanismos compensadores, podendo ser uma
inferioridade real ou uma inferioridade criada pela mente do próprio indivíduo,
e portanto imaginária apenas. Esses mecanismos freqüentemente conduzem à super
compensação, satisfazendo ao indivíduo mas sendo fictícia em relação aos valores
sociais. A personalidade se esforça sempre para obter uma auto-estimulação e um
sentido de segurança satisfatórios, frente aos estímulos sociais e à realidade.
Alguns indivíduos, quando frente a esses estímulos sociais e frente à realidade,
conseguem promover atividades positivas, porque suas reações se acham bem
integradas; mas outros procuram isolar-se do grupo, não conseguindo promover
qualidades satisfatórias da personalidade.
COMPLEXO - É um conjunto estruturado de atributos pessoais, geralmente
inconscientes e adquiridos na, infância, por cristalização das relações humanas
num círculo familiar e social, ao mesmo tempo típico e singular. Esse termo foi
introduzido na psiquiatria por Jung, que o define como um agrupamento de
elementos psíquicos que envolvem conteúdos de tonalidade emocional.
Aparentemente os conteúdos de um complexo podem ser conscientes ou
inconscientes.
Jones define o complexo como grupos de idéias coloridas emocionalmente, parcial
ou totalmente reprimidas. Pode-se, em geral, dizer que os conflitos psíquicos
fundamentais, provocados geralmente durante as etapas de sexualidade infantil,
podem gerar um complexo. Fala-se, assim, de complexos de Édipo, Eletra e de
Castração.
Nem todos os complexos decorrem porém de problemas relacionados com o sexo.
Muitos são provocados por situações econômicas, sociais, culturais, podendo-se,
deste modo, distinguir complexos de superioridade, inferioridade e familiar.
Consequentemente, embora a infância seja a fase mais própria à germinação de
complexos, eles podem ser provocados e manifestarem-se em qualquer fase da vida.
COMPLEXO DE ÉDIPO - É o apego erótico e excessivo, às vezes inconsciente,
do filho em relação à mãe, paralelamente ao desenvolvimento de sentimentos
obscuros de ciúmes em relação ao pai que, no caso, se apresenta à criança como o
principal rival. Quando existem várias crianças numa família, o complexo de
Édipo expande-se e passa a ser denominado complexo de família. Quando os filhos
crescem, um dos meninos pode, com efeito, tomar a irmã como substituta da mãe, a
qual não pode possuir somente para si, porque não conseguiu vencer seu rival, o
pai.
Diretamente, porém, podemos considerar que o amor à mãe e a hostilidade ao pai
constituem os dois elementos básicos do complexo de Édipo na concepção do
próprio criador do termo, Freud.
Édipo é o personagem principal de uma antiga lenda grega, eleito pelo destino
para matar seu pai e desposar sua mãe. Ao tomar consciência do crime que havia
praticado, Édipo, corroído pelo remorso, furou seus próprios olhos para se
punir.
Essa mesma história, segundo Freud, se repete na vida das crianças em relação
aos seus pais e mães. Segundo o criador da psicanálise, isso acontece quando o
menino começa a manifestar exagerada preferência pela mãe a querer que ela
exista só para ele. Ciumento em relação ao pai, o menino faz tudo para afastá-lo
de sua convivência com a mãe, vindo posteriormente a sentir-se culpado de uma
falta grave, relacionada quer com seu amor erótico pela mãe, quer com sua
aversão pelo pai.
O fato de que as crianças sejam capazes de ter sentimentos amorosos em relação a
seus pais não constitui motivo de espanto, pois sabemos que elas tem vida
sexual, embora o sexo, na fase infantil, não se manifeste de forma genital.
Segundo Freud, o complexo de Édipo não só é normal como pode aparecer e
desaparecer durante toda a infância, dando lugar a um perfeito equilíbrio
emocional nas relações entre pais e filhos.
Quando porém, por um motivo ou outro, determinados fatores impedem esse
desenvolvimento, as conseqüências podem ser bastante graves, chegando mesmo a
estragar completamente a vida do adulto. Os homens que não conseguem superar o
complexo de Édipo tornam-se geralmente, efeminados e medrosos. Com efeito,
quando o menino, que ama a mãe e odeia o pai, sente-se incapaz de enfrentar, de
igual para igual seu rival, o complexo de Édipo entra por um caminho normal de
evolução. O menino desfaz-se de sua agressividade paia tentar vencer o pai por
outros métodos. Para isso, ele irá cada vez mais renunciando à sua virilidade e
tornando-se submisso. Em vez de se comportar como homem, começa a se comportar
como mulher, procurando se identificar com a mãe para, com ela, dividir as
simpatias e atenções do pai.
Esse complexo mal superado na infância pode, segundo Freud, conduzir muito
facilmente o indivíduo a ser, na fase adulta, homossexual ou, pelo menos, um
tipo submisso e acovardado. Por outro lado, a experiência de haver amado a mãe,
sabendo que ela não podia lhe pertencer exclusivamente, pode, ainda segundo o
criador da psicanálise, marcar profundamente o espírito da criança pela idéia de
que o objeto do amor deve sempre ser disputado com um rival. Quando chegar à
fase adulta, o indivíduo poderá sentir-se incapaz de amar uma mulher
completamente livre. Pelo contrário, sentirá grande prazer em disputar com outro
homem a noiva ou a esposa.
Para Adler, o complexo de Édipo parece menos complicado e é motivado, em grande
parte, pelos excessivos mimos dispensados à criança. Pensa que a atitude normal
da criança é um interesse quase igual para com o pai ou a mãe, mas considera que
são fatores externos que motivarão desencadeamento de maior interesse para com
um ou outro dos pais: Por exemplo, certos traços do pai podem fazer com que o
menino se apegue mais intensamente a ele que à mãe; uma mãe excessivamente
carinhosa pode afastar a criança do pai, fazendo com que fique mais achegada a
si. Apegando-se excessivamente à mãe, a criança torna-se mais ou menos parasita,
procurando-a para satisfação de todos os seus desejos, também os sexuais. Se,
por outro lado, existir atração do menino pelo pai, Adler explica esse fenômeno
como sendo não-sexual mas preparatório para assumir um outro estágio do
desenvolvimento sexual.
A criança "mimada" é, segundo Adler, sexualmente precoce porque aprendeu a não
se privar de coisa alguma. Consequentemente entregar-se-á à fantasia erótica,
superestimulando seu desenvolvimento sexual. A esse respeito os carinhos
excessivos da mãe podem constituir outro fator de excitação sexual. e as
fantasias sexuais, nas quais a criança se refugia, serão dirigidas para a mãe.
Por isso, segundo Adler, o complexo de Édipo nada mais é que "uma das múltiplas
formas que aparecem na vida da criança mimada, que é joguete de suas excitadas
fantasias".
Para Jung, o começo real da sexualidade se opera por volta do sexto ano.
Consequentemente, toda manifestação de amor por parte do menino para com a mãe
não pode ser considerado como manifestação sexual propriamente dita. Até essa
idade, a mãe não tem significado sexual de qualquer importãncia. É apenas uma
fonte de proteção e de nutrição que, por isso, mesmo, faz com que a criança a
ela se apegue com maior intensidade que ao pai.
Somente com o decorrer do tempo esse interesse relacionado com a alimentação,
consubstanciada na pessoa da mãe, vai cedendo lugar ao complexo de Édipo em sua
significação propriamente erótica.
Para Erich Fromm, o "mito de Édipo" não deve ser considerado como um símbolo
incestuoso entre mãe e filho, mas como uma rebelião do filho contra a autoridade
paterna numa família patriarcal. Segundo ele, o complexo de Édipo não se
verifica em qualquer tipo de família. Basta que a criança tenha um melhor
relacionamento com outros indivíduos de sua idade para que não se verifiquem
tensões tão acentuadas entre pais e filhos.
Analisando a teoria freudiana relativa ao complexo de Édipo, Fromm afirma que as
observações do criador da psicanálise são parciais e inconsistentes. Para Fromm,
o conflito entre pai e filho resulta do fato de, numa sociedade patriarcal, ser
a criança, especialmente a do sexo masculino, considerada como uma propriedade
do pai, como um bem imóvel ou mesmo como um "animal de carga". Semelhante
atitude e tratamento dado pelo pai, ao filho, opõe-se ao desenvolvimento livre e
independente da criança. Fromm considera tanto o complexo de Édipo, como a
neurose, manifestações de um conflito entre a luta do homem pela liberdade e
auto-afirmação, e os princípios éticos e sociais que impedem o alcance de
liberdade, frustrando os indivíduos que naturalmente a procuram.
Para Fromm, quando tivermos uma sociedade que respeite a integridade de todos os
indivíduos, incluindo todas as crianças, o complexo de Édipo, como um mito, já
pertencerá ao passado.
Harry Stack Sullivan pouco difere de Fromm na interpretação do complexo de
Édipo. Segundo ele, trata-se mais de um problema de liberdade que de sexo. Dá
fundamental importância ao papel dos pais. especialmente da mãe (na infância e
na puberdade. Segundo ele, o sentimento de familiaridade que o pai ou a mãe
alimenta em relação ao filho do mesmo sexo conduz a uma atitude suportaria que
produz ressentimento e hostilidade por parte da criança. Por outro lado, em
virtude da própria diferença de sexo, o pai ou a mãe trata o filho do sexo
oposto com maior consideração.
A diferença de sexo faz com que o pai se sinta menos apto para orientar a vida
da filha e, assim, trata-a com mais cuidado. por assim dizer, "com luvas de
pelica". Isso faz com que se manifeste na família maior afeição da filha pelo
pai e do filho pela mãe.
COMPLEXO DE ELECTRA - Intrinsecamente, o complexo de Eletra se resume no
mesmo problema do complexo de Édipo. A única diferença está nas pessoas que
entram em jogo. Entretanto no complexo de Édipo se verifica o apego erótico do
filho pela mãe, com o desenvolvimento paralelo de ódio pelo pai, no complexo de
Eletra a filha encontra na mãe uma rival que compete com ela na disputa das
simpatias do pai.
Parece todavia um pouco forçada a denominação de complexo de Eletra, uma vez
que, na mitologia grega esta personagem não representa, tão bem quanto Édipo, o
sentimento erótico e de ódio para com o pai e a mãe, respectivamente. Com
efeito, segundo a mitologia, Eletra, filha de Agaménon e de Clitemnestra, e irmã
de Orestes, nem matou sua mãe, nem se apaixonou .por seu pai. A mitologia grega
diz simplesmente que, depois que sua mãe e Egisto assassinaram seu pai, Eletra
salvou a vida de seu irmão enviando-o à côrte do rei Estrófio. Mais tarde
Orestes regressou e foi incitado à vingança por sua irmã, assassinando sua mãe e
Egisto.
Seja como for, a menina, em seu desenvolvimento sexual enfrenta os mesmos
problemas, embora geralmente com menor intensidade que o menino, e as
conseqüências do desenvolvimento anormal do complexo de Eletra são tão graves
quanto as do complexo de Édipo. Não seria, portanto necessário repetir aqui tudo
o que foi dito a respeito do complexo de Édipo, e daremos apenas algumas
opiniões dos principais i autores que abordaram esse assunto.
Para Freud o desenvolvimento sexual da menina é mais difícil e mais complicado
que o do menino, Além das diferenças fisiológicas, existem também distinções
instintivas e psíquicas. Para a criancinha do sexo feminino, como para a do
masculino, o primeiro objetivo de interesse instintivo é a mãe, uma vez que é
dela que recebe toda assistência. Até por volta do 4 ° ano, sempre segundo
Freud, a criança manifesta desejos libidinosos ambivalentes, isto é, tanto
masculino com feminino. A menina pode sentir inconscientemente desejos de ser
seduzida pela mãe e de ter um filho por intermédio dela.
Finalmente, por uma variedade de razões, a menina se afasta da mãe numa
atmosfera de ódio. O aparecimento de um irmão menor gera um sentimento de ciúme
contra o recém-nascido e de ressentimento contra a mãe infiel. A menina torna-se
travêssa e intratável. Quando durante a fase fálica, a mãe reprova qualquer
gesto de masturbação, ocorre a maior frustração de seus desejos e apetências
libidinosas. Com o abandono da masturbação clitórica, a menina começa a
manifestar mais intensamente suas tendências passivas. É nesse momento que, com
a preponderância de seus impulsos instintivos passivos, ela se volta para o pai
e vai se orientando para a situação feminina.
A transferência da tendência infantil ativa da menina para o interesse pelo pai
marca o ingresso da criança na situação do complexo de Eletra. É somente aqui
que a mãe passa a ser vista como uma rival, que obtém o que a filha desejaria
obter do pai.
Em relação ao complexo de Eletra, Jung quase nada acrescenta ao que disse Freud.
Embora quando menos importância aos fenômenos sexuais anteriores à idade de 5 a
6 anos mais ou menos, acrescenta que quanto mais a sexualidade amadurece, tanto
mais a pessoa é forçada a deixar a família e adquirir independência e autonomia.
Segundo Jung, se os adultos não lograrem emancipar-se espiritualmente e, por si
próprios, o complexo de Eletra provoca necessariamente conflito que poderá
causar perturbações neuróticas.
Para Karen Horney, o apego aos pais não provém de razões biológicas. A devoção
da filha pelo pai deve ser considerada como simples conseqüências de relações
familiares. As crianças crescem geralmente num ambiente psicológico
desfavorável. Os pais representam, ao mesmo tempo, proteção e proibições. Isto
provoca grande ansiedade na criança, fazendo com que a menina, por natureza
frágil e mais passiva, se apegue mais diretamente ao pai porque vê nele um
elemento de segurança. A devoção vai, habitual mente, para o mais protetor, o
mais temido dos pais, uma vez que a obtenção de sua proteção oferece mais
segurança.
Com o menino não se dá o mesmo porque ele é mais sensível aos carinhos maternos
e, consequentemente, apega-se mais à mãe, não só para desfrutar desses carinhos
que lhe saciam os instintos libidinosos, mas também para protegê-la.
O ponto mais importante da doutrina de Horney a respeito do desenvolvimento
sadio da criança é a ênfase dada à afirmação de que as relações dos primeiros
tempos na vida familiar modelam o caráter em sua totalidade. Dessas relações, os
elementos altamente necessários à criança são a ternura, o interesse a confiança
e a sinceridade dos pais.
COMPLEXO DE INFERIORIDADE - Esta denominação foi criada pelo discípulo de
Freud, Adler, para designar o estado neurótico que tem por fundamento o
sentimento de insuficiência ou incapacidade para enfrentar a vida e seus
problemas. Esse complexo pode ser provocado por vários motivos, reais ou irreais
como por exemplo um defeito físico, uma situação econômica ou social difícil, ou
simplesmente pela recordação de um fracasso perante um obstáculo que não foi
possível vencer.
O neurótico procura compensar sua insuficiência real ou suposta, seja pela
tentativa de sobressair em qualquer atividade física, artística ou cultural, o
que constitui uma reação positiva, seja procurando vencer seu estado de
inferioridade por artimanhas, agindo, consciente ou inconscientemente, com
astúcia, cautela e pedantismo, a fim de apresentar aos outros caracteres que
realmente não possui.
Neste último caso, que representa uma reação negativa o complexo de
inferioridade pode se agravar se o indivíduo for mal sucedido nessas tentativas
de compensação. Até aqui consideramos o complexo inferioridade como um estado
anormal e neurótico.
Ultimamente tornou-se comum o uso da expressão "complexo de inferioridade" para
designar um sentimento normal de inferioridade, que não deve ser confundido com
o sentimento de origem neurótica, uma vez que a consciência de inferioridade,
com sua conseqüente procura de compensação, representa um elemento dinâmico do
desenvolvimento individual. Pode-se dizer que, em todo indivíduo, o sentimento
de inferioridade está na base do próprio sentimento da personalidade. O ideal do
indivíduo é tanto mais dominador quanto mais ele é consciente de que ainda resta
um longo caminho a percorrer.
A psicologia individual, através da evolução, vê em todo esforço humano a
procura de perfeição. Todo impulso vital está implicitamente ligado a essa
tendência de perfeição, mas em comparação com a perfeição ideal irrealizável,
todo homem é constantemente invadido pelo sentimento de inferioridade que o
estimula a procurar a perfeição.
Toda a história da humanidade deve ser considerada "como a história do
sentimento de inferioridade e das tentativas feitas para encontrar-lhe uma
solução", escreveu Adler. E, ainda segundo o discípulo de Freud, "o homem é um
ser inferior mas esta inferioridade que lhe é inerente, da qual ele toma
consciência num sentimento de limitação e de insegurança, age como um sortilégio
estimulante, a fim de descobrir uma via por onde realizará a adaptação a esta
vida... e a fim de nivelar as desvantagens da posição humana na natureza."
Nessa perspectiva, podemos considerar que o complexo de inferioridade resulta de
uma condição natural do indivíduo, mais ainda, de uma fonte de dinamismo que não
foi bem conduzida pela pessoa.
COMPULSÃO - Impulso muito forte e até irresistível que leva o indivíduo a
fazer algo que lhe parece indesejável, errado ou fora dos limites da razão e que
se repete de maneira perseverante, objetivando evitar a angústia. Em geral, as
compulsões (atos) e as obsessões (idéias) coexistem na mente patológica e quando
chegam a atuar de forma violenta podem afetar as relações do indivíduo com
outras pessoas. De fato, o indivíduo pode ter inicialmente uma personalidade
obsessiva (embora dentro do normal), que talvez virá provocar reações
obsessivas, com leve depressão. O aumento do componente obsessivo, depois, pode
dar origem a compulsões ou obsessões específicas, que complicam a existência do
indivíduo, caso prossigam aprofundando-se.
CONDICIONAMENTO - O condicionamento é uma forma básica de aprendizado,
que envolve uma resposta simples ou uma série complexa de respostas a
determinados estímulos. O processo de condicionamento depende da discriminação
dos estímulos e de condições do organismo que afetam o comportamento. Alguns
psicólogos concordam com a divisão do condicionamento em dois tipos: o
condicionamento respondente ou clássico e o condicionamento operante ou
instrumental. O primeiro, também chamado condicionamento pavloviano, ocupa-se
principalmente com as relações entre estímulos e resposta. 1; útil para explicar
como o comportamento involuntário e as reações emocionais são condicionadas. No
estudo do condicionamento, Pavlov conclui que um estímulo incondicionado provoca
uma resposta incondicionada; um estímulo condicionado, uma resposta
condicionada; e um estimulo incondicionado associado a um estímulo neutro passa
a ser condicionado. O condicionamento respondente é principalmente relacionado
com a substituição dos estímulos sempre que ambos os estímulos provocam
aproximadamente a mesma resposta. Como vimos, o condicionamento respondente
envolve a associação de um estímulo condicionado a um estímulo incondicionado
para obter a mesma resposta de um estímulo condicionado. Este tipo de
condicionamento é comumente relacionado ao comportamento involuntário, e está
intimamente ligado ao sistema nervoso autônomo. As crianças em geral desenvolvem
aversões e preferências alimentares notavelmente semelhantes às de seus pais. Se
uma criança recusa tomates, sabendo-se que sua mãe também não gosta de tomates,
pode-se concluir que tomate para esta criança representa um estímulo
condicionado pela aversão da mãe a tomates. Pode mesmo ocorrer que praticamente
todo comportamento emocional aprendido, ódio a animais, repulsa às aranhas, medo
de lugares altos, envolvam substituição de estímulos como a base de sua
demonstração. Sempre que o comportamento pode ser melhor analisado tendo como
base o paradigma de Pavlov, ele pode ser chamado condicionamento clássico ou
respondente.
Condicionamento operante ou instrumental Grande parte do comportamento humano
pode ser explicada pelos princípios do condicionamento respondente. Isto é
especialmente verdadeiro no que se refere a comportamentos involuntários, que
dependem do sistema nervoso autônomo, incluindo reflexos simples e muito do que
é chamado comportamento emocional. Entretanto, outros aspectos do comportamento
humano podem ser melhor entendidos pelos princípios do condicionamento operante.
Estão nesse caso nossos atos ou comportamentos voluntários, que algumas vezes
dependem de atos voluntários. As diferenças entre condicionamento respondente e
operante são dadas porque ajudam a distinguir quanto aos modos como diferentes
comportamentos são aprendidos.
O comportamento respondente é primariamente controlado pelos estímulos que
ocorrem antes da resposta. No condicionamento operante uma resposta dada é
controlada pelo estímulo que se lhe segue. Freqüentemente uma resposta do
comportamento causa modificações no ambiente. As mudanças subseqüentes
determinam se a resposta persistirá. Em outras palavras, os estímulos que seguem
as respostas são mais importantes no condicionamento operante. Neste tipo de
condicionamento, qualquer comportamento emitido pode operar de modo a produzir
mudanças no ambiente. O condicionamento operante se refere então a uma resposta
que atua no ambiente. Por envolver uma resposta instrumental na obtenção da
mudança, o condicionamento operante é freqüentemente chamado condicionamento
instrumental. O modelo para o condicionamento operante envolve representação do
estímulo antecedente e do estímulo que se segue à resposta. A resposta
conseqüente, isto é, o estímulo que segue a resposta, chama-se estímulo de
reforço quando obedece a certos princípios. Segundo o modelo de condicionamento
operante o que se segue à resposta aprendida, mais do que aquilo que a precede,
serve para formar muito de nosso comportamento voluntário cotidiano, isto é,
comportamento que depende primariamente do sistema nervoso central.
O condicionamento operante ou instrumental ocorre quando uma resposta operante é
reforçada. As respostas operantes são emitidas quando um organismo devei se
adaptar a condições ambientais ou resolver problemas. Por exemplo, quando um
animal é colocado numa gaiola, dá respostas tipicamente de fuga (respostas
operantes). A resposta que leva à liberdade é reforçada pela fuga, e tende a ser
dada toda vez que o animal é recolocado na gaiola. A maioria das aprendizagens
complexas são de tipo operante.
CONFLITO - O conflito ocorre quando duas exigências que estão sendo
impostas a uma pessoa se manifestam incompatíveis, isto é, fazendo com que a
satisfação de uma torne impossível à pessoa fazer o que é solicitado pela outra.
Há muitas maneiras de qualificar e dividir os conflitos. Uma delas é a que
consiste em analisar as exigências conflitantes. Por elas, podemos determi nar
as espécies de conflitos:
a) Conflitos entre exigências internas e externas. São os mais freqüentes nos
primeiros anos de vida, quando a pessoa não interiorizou ainda muitos valores
próprios da sociedade em que vive. Esta é uma das razões porque a educação
moderna, à luz da psicologia, evita ditar simplesmente leis e regulamentos sem
mostrar o porque dos deveres, sem motivar os educandos.
b) Conflitos entre duas exigências externas. Existem, na sociedade, muitos
valores incoerentes e incompatíveis entre si. Na escola, no lar ensinaram-nos a
amar, a respeitar nossos semelhantes, a olhar com afabilidade os que nos
rodeiam, a sermos humildes. Ao mesmo tempo, porém, em conflito direto com esses
valores verbalmente transmitidos, somos encorajados a adotar uma atitude
agressiva e individualista. A filosofia humilde de "darmos a outra face" está em
flagrante conflito com o sistema real de valores que se revela constantemente na
sociedade em que vivemos. A criança sobretudo, que discerne com maior
dificuldade, é mais suscetível de absorver essas duas exigências incompatíveis,
e essa incompatibilidade contribuirá para a formação de um conflito neurótico.
c) Conflitos entre duas exigências internas. Pela assimilação de valores que nos
foram apresentados, transportamos conosco muitas exigências contraditórias. Para
isso, além da pura assimilação de padrões culturais, características
fisiológicas contribuem para que nossa personalidade, consciente ou
inconscientemente, seja arrastada em duas direções contraditórias provocando
conflitos.
O ilustre teorizador no campo da personalidade e dos processos sociais, Kurt
Lewin, classifica os conflitos a partir da tendência humana para abordar ou
evitar estímulos que a pessoa considera como benéficos ou prejudiciais, sendo
que, para Lewin, abordar ou evitar não significam, necessariamente movimento
físico, podendo ser também um evento puramente mental. O teorizador distingue
três tipos básicos de conflitos: de acercamento-acercamento,
distanciamento-distanciamento e acercamento-distanciamento.
No conflito de acercamento-acercamento, a pessoa sente-se atraída,
simultaneamente, para dois objetivos positivos, igualmente sedutores, e encontra
dificuldade em optar. Por exemplo, o indivíduo pode sentir-se em face a um
dilema ao ter que escolher entre ir à praia ou ao estádio assistir a uma partida
de seu time.
O conflito distanciamento-distanciamento é provocado por dois objetivos
negativos, ambos repulsivos. Uma pessoa, por exemplo, pode ser levada a ter que
escolher entre continuar sofrendo ou extrair o dente infeccionado, embora não
considere coisas agradáveis continuar sofrendo ou enfrentar o gabinete dentário.
Em terceiro lugar, há o conflito acercamento-distanciamento que se apresenta
como um dos mais difíceis de serem resolvidos. Ele se dá quando 0 indivíduo é,
ao mesmo tempo, atraído e repelido por um objetivo. È o caso, por exemplo do
estudante que vai enfrentar os exames finais. O exame o atrai por marcar mais
uma vitória e, ao mesmo tempo, o início das férias; mas, por outro lado, a
incerteza do sucesso o repugna. Isto acontece também com um indivíduo tímido ao
se preparar para um encontro amoroso: deseja a realização do acontecimento, mas
sente-se angustiado por não ter certeza do que poderá acontecer.
A análise do conflito em termos de acercamento e distanciamento abre novos
horizontes, realçando as tendências de reação de uma pessoa mais para objetivos
conflitantes do que para as origens internas ou externas do próprio conflito.
CONSCIENTE - Consciente é um dos níveis da vida psíquica, muito pequeno
em relação à parte inconsciente, e do qual o indivíduo é responsável em qualquer
momento de sua existência. Embora o consciente seja uma continuidade durante a
vida normal, seu conteúdo é extremamente transitório e se modifica
continuamente.
Freud e Jung afirmam que se tem exagerado a importância da parte consciente do
psiquismo. Para Jung, o consciente não existiria se não houvesse uma base
inconsciente sólida. O consciente é responsável pela adaptação ao meio. Jung
considera o EU como a parte central do consciente, explicando que esse EU seria
caracterizado por sua continuidade, sua estabilidade. Afirma o discípulo de
Freud que o EU representa as atitudes conscientes e estáveis do indivíduo frente
ao mundo exterior.
Para Freud, é consciente todo processo psíquico pelo qual tomamos conhecimento
num momento dado. Estou, por exemplo estudando e, de repente, lembro-me de que
amanhã é feriado e que irei à praia. Esta idéia passa a ocupar meu espírito,
torna-se consciente e permanece consciente enquanto eu continuar pensando nela.
Quando eu deixar de pensar que amanhã irei à praia e concentrar-me novamente no
estudo, que acontecerá com a idéia de meu programa para amanhã? Terá ido embora.
Mas ,para onde? Para o lugar de onde tinha vindo. Antes de eu ter pensado nela,
ela já se encontrava em meu espírito, pois eu já sabia que amanhã iria à praia.
Apenas não estava pensando nela, no momento em que a idéia tornou; consciente.
A consciência é como um raio de luz que se projeta na direção de um objeto que
se encontra n escuro. O objeto iluminado torna-se consciente pode ser vista por
mim. Os outros objetos que se encontram ao redor e que não são vistos nesse
determinado momento, mas que o poderão quando el quiser, são denominados
pré-conscientes.
O consciente é, portanto, a região que se encontre iluminada por minha
consciência.
CONVULSÃO - É uma contração espasmódica da musculatura do corpo,
acompanhada de abalos mais ou menos fortes. As contrações são bruscas e
involuntárias, ora demoradas e com tendências a deixar as regiões afetadas em
uma posição fixa, denominando-se então convulsões tônicas; ora rápidas e
sucessivas, dando assim lugar a movimentos intermitentes e sendo, neste caso,
conhecidas por convulsões clônicas.
Um dos mais conhecidos e freqüentes tipos de convulsões tônicas é a provocada
pelo tétano. Dependendo dos efeitos e manifestações externas, as convulsões
podem ser denominadas gerais ou parciais, rítmicas ou irregulares, externas ou
internas.
As convulsões clônicas gerais manifestam-se preferencialmente nas crianças, quer
em virtude de infecções, perturbações digestivas ou pela presença de vermes,
quer ainda, fugindo ao campo propriamente fisiológico, por toda e qualquer
espécie de emoções fortes capazes de traumatizar, como o medo, a cólera ou mesmo
a alegria.
Embora nem sempre sejam graves, estas convulsões realizadas em virtude de
distúrbios psíquicos podem ter conseqüências funestas, sobretudo quando levamos
em conta que a criança, em seu período de formação psico-física, é muito mais
sensível aos fatores que podem perturbar o processo normal de desenvolvimento.
Isso não significa porém que os adultos estejam completamente livres das
conseqüências causadas por convulsões. No que diz respeito às causas, tanto
físicas como psíquicas desse fenômeno patológico, tanto a criança como o adulto
estão sujeitos a serem vitimados. Uma e outro pode ser acometidos de lesões
bulbares, de meningite ou de encefalite, principais responsáveis, no campo
físico, pelo aparecimento de convulsões mais ou menos graves, segundo a
gravidade das lesões que a provocam.
No campo psíquico também, adultos e crianças podem ser acometidos de histeria,
de catalepsia ou de toda sorte de epilepsia que, segundo sua intensidade e
duração podem ser grandes responsáveis pelo fenômeno de convulsão e de muitos
outros distúrbios psíco-físicos.