Tratamento Psicopedagógico: “O que é?”

Por Eliane Pisani Leite

15/09/2009



 

Quando os pais são chamados para uma reunião na escola, surge mil dúvidas e anseios sobre qual será o tema de discussão com os professores e coordenadores. Algumas vezes os pais já sabem qual será o tema, outras, eles ficam ansiosos por saber.
O termo Psicopedagogia é razoavelmente recente, muitas pessoas não conhecem o seu significado. Há uma confusão com a palavra Psicologia – Pedagogia, enfim surge essa mesma confusão quando a escola solicita que os pais levem a criança a fazer um trabalho Psicopedagógico.
O termo Psicopedagogia é uma junção das palavras Psicologia e Pedagogia, hoje já constitui curso de pós graduação em faculdades reconhecidas, cursos com carga horária acima de dois anos de formação.
Neste trabalho o profissional desenvolve tarefas que engloba tanto aspectos psicológicos quanto aspectos pedagógicos, ressalvando que não se assemelha a um tratamento psicológico, pois este deverá sempre ser realizado por um psicólogo formado em faculdades de graduação.
O trabalho psicopedagógico constitui uma série de atividades para trabalhar habilidades de raciocínio, geralmente voltados para as Dificuldades de Aprendizagem especificas do cliente que está em tratamento. Algumas vezes essas atividades podem estar voltadas para a concentração, memória, compreensão de textos e leituras, raciocínio lógico ou abstrato, calculos, escrita, organização espaço-temporal, coordenação motora, entre outras.
Geralmente são trabalhos específicos, podem algumas vezes trabalhar os conteúdos escolares que estão sendo ensinados ao aluno, porém essa não é a prioridade do trabalho. A prioridade são as habilidades de raciocínio que estão em defasagem, o conteúdo escolar daquele ano letivo é deixado para que um professor particular trabalhe com o aluno, pois o trabalho do Psicopedagogo vai além das lições de casa, é algo mais profundo e dinâmico.
Geralmente quando o trabalho psicopedagógico está sendo focado no sujeito que não aprende, é indicado que tanto a família quanto a escola sejam orientadas para dar suporte ao trabalho.
Na orientação familiar procura-se esclarecer a todos os membros que tipo de problema o nosso cliente apresenta, esse esclarecimento muitas vezes colabora efetivamente para a melhora, pois o fato de não se compreender o funcionamento daquele que está apresentando dificuldades, faz com que o grupo familiar “sofra” em conjunto, criando desentendimentos entre os membros.
No aconselhamento procuramos sempre oferecer estratégias e atividades que possibilitem o grupo trabalhar em casa certas dificuldades ou hábitos.
Na escola também é feito aconselhamento no sentido de esclarecer possibilidades reais do aluno e quais as atuações pedagógicas que favorecem o desenvolvimento do mesmo.
O trabalho da Psicopedagoga leva em consideração a capacidade que o cliente tem para envolver-se com os conteúdos, bem como seu grau de dispersão com relação aos mesmos.
Nosso compromisso enquanto profissionais consiste em observar o cliente como um todo, verificando seus potenciais e suas dificuldades, dessa forma começando a interação com o sujeito através de seus potenciais para que ele se familiarize com a proposta do trabalho e passe a acreditar mais em seu potencial, uma vez que na maioria dos casos sua auto-estima está prejudicada em função das constantes criticas e estigmas que é vitima pelos seus fracassos.
Todo trabalho de intervenção é projetado encima dos resultados obtidos no Psicodiagnóstico que antecede o tratamento em si.
Este é um trabalho especializado desenvolvido por Psicólogos ou Psicopedagogos, que visa o esclarecimento dos fatores que estão causando determinados problemas em um indivíduo.
Para se efetuar um Psicodiagnóstico o profissional utiliza vários instrumentos de trabalho, como por exemplo, testes, entrevistas e dinâmicas de grupo ou individual. Tudo isso com o objetivo de conhecer melhor o funcionamento psíquico daquele indivíduo. Muitas pessoas ficam em dúvidas se está no momento certo para esse trabalho ou se é apenas um fato passageiro que o tempo resolve, nem sempre essa é a conduta mais correta. Vejamos por exemplo o caso de professores que ao lidar com alunos que estão apresentando comportamento inadequado em sala de aula, ou mesmo crianças que apresentam qualquer dificuldade de aprendizagem, ficassem esperando que o problema se resolvesse por si só. Teríamos isto sim, uma camada de adolescentes que foram arrastados em seu processo de aprendizagem, porque não foram assistidos em tempo hábil.
Fatos como estes não são difíceis de encontrarmos, acredito que é sempre melhor errar pelo excesso que pela falta. O prejuízo para a vida pessoal no diagnóstico pode causar, muitas vezes, um dano irreversível.
Devemos sempre que possível observar a realidade sem lentes coloridas, pois dessa forma estaríamos vendo aquilo que nossos olhos querem ver e não o que realmente esta acontecendo.
No nosso dia a dia estamos envolvidos com pessoas e muitas vezes famílias que rejeitam qualquer tipo de intervenção e ajuda alegando que os fatos são algo comum e que acontece em qualquer família. Isto pode ser uma verdade, porém é justamente por ocorrer em várias famílias que se tornou objeto de estudos para a prevenção e tratamento desses problemas, sejam eles de aprendizagem ou de comportamento.
A melhor forma de saber se o momento é oportuno ou não para um diagnóstico, é usar o bom senso e a vontade de melhorar aquilo que se pode melhorar.
 


Eliane Pisani Leite é Psicóloga, Acupunturista, Psicopedagoga, Terapeuta Floral
Autora dos livros: Pais EducAtivos, Brinquedos e Brincadeiras-Teoria e prática, A Importância da Mulher na Sociedade - www.elianepisani.com