Mulheres, estou chocada!

Irlei Wiesel

10/03/2008


Estamos no séc. XXI, em 2008. A força da mulher se consolida. Enfrentamos alguns obstáculos, mas nada que se compare ao passado. Acompanhe, a seguir, o massacre emocional instituído por três respeitados pensadores sobre as mulheres.
Lutero, um famoso teólogo alemão, reformador e protestante que influenciava a mente das pessoas no século XVI, afirmava:
- “O pior adorno que uma mulher pode querer usar é ser sábia”.
Já no séc. IV a.C., Aristóteles, filósofo grego, um respeitado guia intelectual de Alexandre, o Grande, afirmava:
-“A natureza só faz mulheres quando não pode fazer homens. A mulher é, portanto, um homem inferior.”
No século XVI, o Rei da Inglaterra e chefe da Igreja Anglicana, Henrique VII, afirmava:
- “As crianças, os idiotas, os lunáticos e as mulheres não podem e não têm capacidade para efetuar negócios.”
O tempo passou e vivemos uma outra era. A dinâmica atual sugere mulheres livres, atuantes, empenhadas, escrevendo uma nova história.
Os pensadores atuais são unânimes em aplaudir a força e capacidade da mulher mundial. Atualmente, o valor da mulher é reconhecido, porém, pergunto-me, por que o índice de mulheres deprimidas, ansiosas e emocionalmente estressadas é tão acentuado?
Estamos livres, mas presas aos nossos estados fóbicos.
Estamos lindas, mas feias para nós mesmas.
Somos amadas, mas nos rejeitamos.
Desenvolvemos inúmeras capacidades, mas parece que nos falta a paz.
Administramos agendas, mas boicotamos nossas emoções.
Controlamos grandes negócios, contudo maior é nossa tristeza.
Somos confiantes nas estratégias profissionais, mas inseguras quanto à vida pessoal.
Conquistamos o reconhecimento, mas sentimo-nos vazias.
Por que vivemos essa dualidade?
Talvez, porque, apesar dos tempos serem outros, ainda guardamos, inconscientemente, memórias emocionais daquela época. Através da memória coletiva ou da memória individual.
Quando nossa memória fica presa ao passado, temos a sensação da dualidade. Sabemos quem somos, o que fazemos e qual nossa missão. Porém, involuntariamente, sentimos que algo nos prende. Questionamos, inclusive, nossa liberdade. Aprisionamo-nos em culpa e medo. Sufocamos. Entretanto, inacreditavelmente, a vida nos convida a seguir. E, seguimos, mas muitas vezes, espiamos a nossa volta, à procura da energia pesada que tem o poder de nos deprimir.
Mulheres, nossa luta é de séculos, nossa missão é desenvolver a auto-estima coletiva. Os tempos já foram muito difíceis. Sugiro que todas nós, cada uma, no seu momento, solte a energia proveniente de crenças negativas em relação a nossa condição de mulher.Precisamos, juntas, criar um inconsciente coletivo livre. Só assim, aos poucos, seremos, individualmente, mais tranqüilas.
A liberdade, muitas vezes, é conquistada após muitos séculos, portanto, valorizemos o que já foi feito e sejamos felizes!

Irlei Wiesel é Psicoterapeuta, Escritora.
E-mail: ilhw@terra.com.br
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