Modelos Mentais Bloqueadores à Criatividade

Por Maria Rita Gramigna

28/08/2007


O tema criatividade é fascinante e abrangente.
Hoje, mais do que nunca, profissionais de diversas áreas são avaliados em suas performances, levando-se em consideração sua capacidade de criar e inovar.
O estudo realizado por Margarita de Sánchez, uma das mestras em pensamento lógico-criativo aponta uma série de bloqueadores à criatividade.
Margarita afirma que o desenvolvimento da criatividade e da inventiva se vê muitas vezes afetado pela presença de barreiras ou bloqueios formados por modelos mentais. Tais elementos limitadores impedem a geração livre de idéias e o uso adequado das informações disponíveis.
A forma de percepção faz com que a visão da realidade seja parcial.

ALGUNS LIMITADORES DA CRIATIVIDADE, SEGUNDO MARGARITA DE SÁNCHEZ:

1. POLARIZAÇÃO: adoção de posições extremas, causada geralmente por falhas na percepção.
A pessoa:
• Considera somente uma parte da informação que recebe.
• Sustenta seus conceitos com argumentos que mostram uma visão incompleta da realidade.
2. RIGIDEZ: inflexibilidade para mudar enfoques e pontos de vista
A pessoa:
• Tende a utilizar padrões em cadeia e pensamento linear.
• Tem dificuldades para incorporar novas informações e enriquecer seus pontos de vista com os de outras pessoas e não aceita argumentos diferentes dos seus.
3. EGOCENTRISMO: visão de túnel, centrada em si mesma.
A pessoa:
• Enxerga os fatos pensando na forma como a afeta.
• Não consegue analisar situações de maneira imparcial.
4. PARCIALISMO: percepção somente de parte de uma situação, geralmente por insuficiência de percepção.
A pessoa:
• Analisa somente partes de uma situação.
• Não tenta obter uma visão geral dos fatos.
5. VISÃO OTIMIZADA DA REALIDADE: observação de elementos soltos, sem integrá-los dentro de uma totalidade, nem relacioná-los entre si.
A pessoa:
• Percebe e observa elementos soltos.
• Forma juízos, argumentos, descrições etc, sem significação pertinente ao contexto.
6. OPINIÕES SEM RESPALDO: emissão de conclusões apressadas, sem obter as informações necessárias.
A pessoa:
• Opina sem ter a informação completa.
• Argumenta sem bases conceituais e sem justificativas apropriadas.
• Não usa o pensamento para explorar possibilidades.
• Emite opiniões geralmente baseadas em preconceitos, crenças pessoais, emoções, idéias fixas, etc.
7. FIXAÇÃO EM DETERMINADO TEMPO: observação somente de certos períodos de tempo.
A pessoa:
• Vive do passado.
• Pensa só no tempo presente ou no futuro.
• Só observa curtos períodos de tempo.
• Tem dificuldades em perceber a relação entre passado, presente e futuro.
8. DISTORÇÕES DE VALORES: dificuldades para perceber e lidar com variáveis de contextos.
A pessoa:
• Exagera os dados ao descrever fatos e situações.
• Formula generalizações apressadas, sem bases reais e objetivas.
• Gera argumentos aparentemente lógicos para sustentar ou defender seus pontos de vista.
9. PENSAMENTOS CONTRÁRIOS: adoção de posições contrárias que dificultam a comunicação eficaz e a busca de consenso.
A pessoa:
• Enfatiza suas posições em detrimento de uma exploração mútua dos fatos.
• Empenha-se em demonstrar seus pontos de vista sem perceber posições comuns que facilitam o intercâmbio produtivo de idéias.
10.ARROGÂNCIA E PRESUNÇÃO: postura de superioridade e auto-suficiência.
A pessoa:
• Assume posturas falsas e imaginárias que crê verdadeiras.
• Possui crenças e preconceitos que distorcem a realidade
• Muitas vezes atua de forma polarizada sem respeitar os argumentos das outras partes
11. SOBERBA: superestima pessoal e desqualificação da capacidade dos outros.
A pessoa:
• Assume condutas explosivas, geralmente ofensivas aos seus semelhantes
• Vê os erros dos outros e não percebe os seus
• Estabelece diferenças hierárquicas para destacar sua superioridade
12. INSEGURANÇA: estado de desequilíbrio pessoal caracterizado por falta de confiança em si mesmo para responder as exigências e contingências do meio no qual se desenvolve.
A pessoa:
• Acredita que não é capaz de enfrentar e resolver os problemas
• Sente medo do novo
• Mostra-se ansiosa com o desconhecido
• Imagina resultados negativos ocasionados por desempenhos inadequados
• Busca apoio constantemente em outras pessoas – dependência.
13. BAIXO AUTO-CONCEITO: sentimento de menos valia.
A pessoa:
• Pensa que não é capaz
• Tende a exagerar suas limitações
• Se sente inferior
• Se auto sugestiona e de fato se impõe limites
14. IMPLICAÇÕES DO EGO: necessidade de acertar sempre
A pessoa:
• Usa seus pensamentos para apoiar seu ego e para manter-se sempre no correto
• Tem dificuldades para aceitar idéias úteis e positivas
• Tem dificuldades para admitir erros
• Filtra as informações que recebe, de acordo com seus interesses
15. FINGIMENTO: adoção de posições falsas ante os demais, as quais não correspondem à realidade.
A pessoa:
• Demonstra o que não sente
• Adota posturas incoerentes

Os limitadores apontados por Margarita são muito comuns no ambiente empresarial e precisam ser trabalhados para fazer fluir a cultura da inovação, exigida nos novos tempos.

 

Maria Rita Gramigna é Mestre em Criatividade Total Aplicada pela Universidade de Santiago de Compostela (Espanha). Graduada em Pedagogia pela Universidade Federal de Minas Gerais e pós-graduada em Administração de Recursos Humanos pela UNA – União de Negócios e Administração (MG). Atua no Mapeamento de Competências, contatos estratégicos com clientes, capacitação gerencial e treinamento da equipe de consultores da MRG Consultoria e Treinamento Empresarial.