EMDR, O que é e para que se destina

Por Silvia Malamud

14/01/2010




É um método de dessensibilização e reprocessamento de experiências emocionalmente traumáticas por meio de estimulação bilateral dos hemisférios cerebrais. Trata-se de uma nova abordagem para o tratamento de traumas emocionais desenvolvida pela doutora Francine Shapiro, no final dos anos 80, na Califórnia. Desde então, o EMDR tem sido um dos métodos psicoterapêuticos mais amplamente pesquisados nos EUA na atualidade, com recomendação especial da American Psychiatric Association

São alvos de escolha primordial do método, pessoas portadores de transtornos ansiosos, em especial o estresse pós-traumático (TEPT). Sendo, também, eficaz para abordagem de fobias, pensamentos recorrentes ou quaisquer situações de conflito emocional.

Denominado, de forma genérica, como psicoterapia de reprocessamento, o EMDR foi, de início, idealizado como psicoterapia breve e focal.

O EMDR é a possibilidade de cura emocional para qualquer situação em que possamos estar envolvidos. Uma revolução palpável nos nossos aspectos de consciência e nas reais possibilidades de existirmos no nosso melhor.

A metodologia mostra-se bastante eficaz em situações de:
Luto, Trauma e lembranças dolorosas, Depressão, Ansiedade e/ou Medos, Fobias, Ataques de pânico, Pesadelos e/ou terror noturno,Temas familiares, Relacionamentos interpessoais, Divórcio e separação, Temas de orientação sexual, Espiritualidade e questões religiosas, Transtornos do sono, Adições e dependência (alcoolismo, drogadição, tabagismo, etc.), Enurese noturna, Dificuldades de aprendizagem e problemas escolares, Anorexia/Bulimia/Transtornos de Alimentação, Obesidade,
Adição sexual e/ou pornografia e Obessividade/compulsão.

O EMDR além de ser uma metodologia extremamente eficiente para estresse pós-traumático, é excelente para qualquer tipo de conflito.
Aplicação do EMDR:
Existe um protocolo que deve ser rigorosamente seguido com a finalidade de que terapeuta e cliente tenham acesso a todos os detalhes que envolvem a situação referida a ser reprocessada. Nele observamos aspectos emocionais envolvidos, pensamentos/crenças/mandatos, sensações corporais, grau de perturbação e outros. A partir daí, por intermédio de movimentos bilaterais que podem ser auditivos, visuais ou táteis, começa o reprocessamento em EMDR. Estes movimentos auxiliam os hemisférios cerebrais realizarem o processo de modo profundo. Durante o reprocessamento, ao mesmo tempo em que o paciente observa e controla o processo, ele está atuante no mesmo.
O EMDR é um recurso/abordagem em si mesmo altamente potente e não há absoluta necessidade do auxílio de outras técnicas terapêuticas. Mas tem a vantagem de poder ser conjugado com inúmeras outras abordagens.

Que tipo de pessoas pode fazer o EMDR. Crianças podem?
Em geral a maioria das pessoas podem se beneficiar com o uso desta metodologia. Pessoas com risco de dissociação grave de personalidade e fragilidade egóica importante não em indicação. Ou com algum tipo de transtorno psicológico ou neurológico grave, por exemplo, psicóticos, esquizofrênicos, transtornos de personalidade sem estabilização (inclusive medicamentosa) apropriada do paciente. Pacientes cardíacos e gestantes devem ter autorização médica devido ao risco disparado por emoções fortes e/ou intensas provenientes de histórias passadas.
O EMDR é super indicado para crianças e mesmo para bebês de colo, onde a mãe ou pai, ou pessoa que cuida passam simultaneamente pelo processo.

Mais informações:
O EMDR por ser um reprocessamento que envolve as conexões neurológicas pode ser entendido como uma espécie de ginástica mental onde uma rede neurológica viciada num tipo de conexão passa a funcionar de modo diferente do usual.
Outros efeitos referem-se a sonhos diferentes, bem como sentimentos internos por sessão diferentes do usual, bem como mudanças em hábitos, relacionamentos interpessoais e na forma de pensar.

Quanto ao número de sessões necessárias para que o paciente vivencie alguma melhora em seu estado?
Depende de paciente para paciente, já que cada pessoas tem sua forma de reagir e de enfrentar suas dificuldades. Às vezes são necessárias poucas sessões para resolver um tema e, outras vezes, necessitam-se de várias sessões para cada queixa/tema apresentado.
O que pode acontecer também é que após uma situação de EMDR solucionada, outras questões antes obscuras emergem para serem solucionadas. O que acarreta um tratamento mais abrangente.

Como o paciente pode contribuir positivamente para a aplicação da técnica?
As principais contribuições do paciente na aplicação da técnica consistem em estar disponível para o seu processo de cura emocional, confiar na metodologia, e permitir que o cérebro faça seu trabalho, sem julgar se o que aparece está certo ou errado.

 

Silvia Malamud é Psicóloga e atua em seu consultório em São Paulo. Tel. (11) 9938.3142 - deixar recado. Autora do Livro: Projeto Secreto Universos. Email: silvimak@gmail.com