Perante o moderno comp
or
tamento
dos consumid
or
es talvez seja útil
refletir em t
or
no da hipótese de uma
nova hierarquia de necessidades humanas, acreditando nós que muitas das que são
de
or
dem psicológica/emocional se
assumem, na atualidade, como necessidades básicas.
Na segunda metade dos anos 50, Maslow assumiu que
as necessidades humanas estão
or
ganizadas numa hierarquia de imp
or
tância,
representada graficamente na f
or
ma
duma pirâmide, cuja base é preenchida pelas necessidades fisiológicas e de
sobrevivência e o topo p
or
necessidades de status e auto-realização. Evidencia-se deste modo a crença
segundo a qual se poderá reduzir o Homem a leis meramente racionais, quando
pensamos no concretizar das suas próprias necessidades, defendendo ainda este
imp
or
tante aut
or
que poucos ou nenhuns procurarão o reconhecimento pessoal, ou o status, se as
suas necessidades básicas não estiverem satisfeitas. Mas, será que a tão famosa
pirâmide das necessidades de Maslow continua atual? Pensamos que não.
É claro que qualquer necessidade continua a ser
traduzida p
or
um processo primário,
configurado em t
or
no da tensão
fisiológica e psicológica, entre a satisfação e a frustração. Aquilo que parece
ter-se modificado no Homem foi a capacidade de fantasiar em t
or
no
deste mesmo processo. Mas o que é que mudou? Desde logo, o entronizar da ilusão
do poder pelo consumo, ou seja o consumo transf
or
mou-se
no mais imp
or
tante ideal de afirmação
social, econômico, status, etc. A este propósito salientamos ainda o fato da
identidade social do indivíduo, ag
or
a
massificado, já não o remeter, como outr
or
a,
para a família de referência ou para a função (profissão) desempenhada, mas,
cada vez mais, para o seu estilo de consumo. Assim, entre as variáveis de
segmentação de mercado é cada vez mais usada a caracterização da amostra
partindo do seu estilo de consumo, ou seja, a f
or
ma
como os seus elementos se comp
or
tam
perante a compra, desval
or
izando-se a
divisão clássica em t
or
no dos indicad
or
es
demográficos, econômicos, sociais, etc. Numa sociedade onde tudo parece ser ato
de consumo, coloca-se a possibilidade de assistimos a mudanças no ciclo
motivacional, esbatendo-se o controlo sobre os impulsos oniomaníacos,
contribuindo largamente para isso a desenfreada oferta de crédito ao consumo e a
comunicação empresarial. Tal representa, quanto a nós, a fragmentação da te
or
ia
da motivação de Maslow, já que perante um mundo crescentemente reduzido às
relações de consumo e aos seus atributos de status, o Homem se vê ag
or
a
submetido a uma exaltada e inevitável influência psicológica / íntima, sup
or
tada
p
or
modernas técnicas de comunicação.
Afinal, se tudo mudou, p
or
que não se
adaptaria o Homem a esse novo mundo, quando pensamos na f
or
ma
de lidar com as suas necessidades, de lidar consigo próprio? O Marketing atual
limita-se, unicamente, a seguir o Homem nesse devir.
Ao aceitarmos que a motivação se encontra no
intervalo entre o estado real e o desejado, ou seja entre as f
or
ças
e os conflitos, os estados psicológicos e os desejos apreendidos, onde o ser
humano titubeia face ao impulso biológico e à estimulação social, então como
entender a mudança de que falamos? Para além do poder pelo consumo, acreditamos
existirem três tópicos centrais a este respeito: p
or
um lado a Neofilia, ou seja, o efeito encantatório provocado pela novidade
(inovação como pressão no mercado); p
or
outro, a Oniomania, palavra grega que significa a febre das compras e p
or
fim a explosão do crédito ao consumo. Se a estes juntarmos o fato de estarmos
constantemente expostos a uma comunicação empresarial (promoções, publicidade,
tele marketing, directmail,etc.) cada vez mais agressiva, então poderemos
entender a razão pela qual o ciclo motivacional de Maslow terá sofrido
alterações profundas. Para tudo isto muito terá contribuído o ideal neoliberal
ao assombrar-nos com a concepção que o mundo vai p
or
si mesmo. O mercado t
or
na-se, deste
modo, uma entidade não controlável, afetando irremediavelmente o comp
or
tamento
do Homem moderno, transf
or
mando-se a
exaltação do consumo de tal modo presente no individuo que a Organização Mundial
da Saúde se vê f
or
çada a atribuir à
Oniomania a referência IM-10 da classificação internacional das doenças,
sendo-lhe, ainda, atribuída a menção DSM-IV na Statistical Manual of Mental Dis
or
der.
Mas poderá esta mudança comp
or
tamental
radicar-se, unicamente, no fato das necessidades fisiológicas referidas p
or
Maslow estarem ag
or
a naturalmente
asseguradas na sociedade da abundância e, talvez p
or
isso, todos os indivíduos serem motivados pelas necessidades anímicas? Quantos
de nós poderão ter isso como certo? Talvez seja demasiado cedo para darmos uma
resposta cabal em relação a tudo isto. Contudo, exige-se que se reflita a
propósito da influência da sociedade de consumo no que diz respeito à provável
desconstrução das te
or
ias
motivacionais clássicas. E ag
or
a Sr.
Maslow?!
Fonte: Portal do Marketing