Breves Considerações Atuais sobre a Esquizofrenia
Por Dr. Wagner Paulon
20/04/2008
Geralmente das doenças mentais, a esquizofrenia é a mais comum, se caracteriza
por distorção do senso de realidade, inadequação e falta de harmonia entre
pensamento e afetividade, e freqüentemente alucinações e idéias delirantes. A
tendência à moléstia é hereditária, talvez produzida por anormalidades
bioquímica (enzimas), mas fatores psicosociais também contribuem.
Os principais tipos de esquizofrenia são:
paranóide (perseguido),
catatônico (mudo, estuporoso, céreo ou bizarro, excitado, delirante),
hebefrênico (frívolo, infantil, isolado),
simples (apático, regressivo).
O tratamento é feito com drogas antipsicóticas (fenotiazinas em doses altas) e
psicoterapia, com o mínimo de hospitalização.
Define-se esquizofrenia como "um grupo de desordens que se manifesta por
distúrbios característicos do pensamento, humor e comportamento”.
Os distúrbios do pensamento são caracterizados por alteração da formação de
conceitos que pode levar a falsas interpretações da realidade e, às vezes,
idéias delirantes e alucinações, que freqüentemente parecem ser psicologicamente
autoprotetoras. As mudanças de humor incluem ambivalência, respostas emocionais
inadequadas e perda da empatia com os outros. O comportamento pode ser de
isolamento, regressivo ou bizarro. As esquizofrenias, nas quais a alteração do
estado mental é atribuível primeiramente a uma perturbação do pensamento, devem
ser distinguidas das doenças afetivas maiores, nas quais predomina uma desordem
do humor.
Os estados paranóide se distinguem da esquizofrenia pela exigüidade de suas
distorções da realidade e pela ausência de outros sintomas psicóticos.
Emil Kraepelin forneceu uma descrição fenomenológica detalhada dos sintomas
esquizofrênicos, mas acabou enfatizando um critério prognóstico -tendência para
uma deterioração final que termina num estado de demência -como traço
característico do diagnóstico. Ainda que a denominação de Kraepelin "demência
precoce" seja usada mais ou menos como sinônimo de "esquizofrenia", não se
aceita mais o melancólico prognóstico de Kraepelin, como inevitável.
Em 1911 Eugen Bleuler chamou a síndrome "esquizofrenia", enfatizando mais a
cisão das funções psíquicas do que uma progressão inexorável "rumo ao abismo".
Fez distinção entre os sintomas fundamentais e os acessórios, e considerou a
desordem dos processos associativos o sintoma fundamental mais importante.
Adolph Meyer acreditava que a esquizofrenia era resultado de um acúmulo de
hábitos reacionais defeituosos. Recomendava o estudo da história da vida inteira
do paciente, com atenção aos fatores ambientais precoces; e tentou correlacionar
os hábitos pré-psicóticos defeituosos com os sintomas esquizofrênicos plenamente
desenvolvidos. Sigmund Freud descreveu como idéias dolorosas e inaceitáveis
podem originar psicoses alucinatórias. O conceito de regressão a fases infantis
ou arcaicas de integração na esquizofrenia substituiu o conceito Kraepelineano
de deterioração.
As autoridades no assunto ainda estão em desacordo se a esquizofrenia é uma
doença no sentido médico clássico, um grupo de síndromes, um desajuste, ou um
estilo de vida aberrante.
Dr. Wagner Paulon - Formação em
psicanálise (Escola Paulista), mestre em psicopatologia (Escola Paulista),
psicologia (Saint Meinrad College) USA, pedagogia (FEC ABC), MBA (University
Abet) USA, curso de especialização em entorpecentes (USP), psicanalista por
muitos anos de vários hospitais de São Paulo.