Avaliação de desempenho - Qual o momento de utilizar a de 360 graus?
Por Maria Inês Felippe
14/07/2008
Tenho percebido constantemente esta dúvida, mas vale a pena buscar uma
fundamentação que poderá ajudar - lhe na decisão.
Ela constitui a consolidação das observações e análises do avaliador sobre o
desempenho do funcionário avaliado, levando em conta o comportamento expresso em
termos técnico e comportamental.
Possibilita identificar a performance dos colaboradores dentro de padrões e
critérios de desempenho estabelecidos, considerando os valores culturais
predominantes na empresa. Obviamente tudo isso com um único objetivo melhoria da
performance da empresa no mercado em que está inserida. Visa basicamente avaliar
comportamento atual e passado preparando para o futuro.
Seus objetivos:
* Estabelecer, de maneira clara, o que é esperado de cada colaborador, com base
na descrição e análise do cargo que ocupa.
* Dotar o colaborador de um esquema de acompanhamento e aconselhamento, onde
terá oportunidade de conhecer seus pontos fortes e fracos, reforçando seu bom
desempenho e procurando corrigir suas deficiências.
* Elaborar planos de ação para colaboradores que apresentem desempenho
insatisfatório.
* Estabelece metas e novas conquistas com base nos objetivos organizacionais.
* Detectar os colaboradores que estão desenquadrados em suas funções, e que
necessidade de readaptação e ou transferência.
* Indicar necessidades de treinamento e ou aperfeiçoamento em determinadas áreas
do seu trabalho.
* Finalizando com uma remuneração compatível com o desempenho.
FOCO
* Adaptação no cargo
* Melhoria no desempenho
* Comunicação chefia/colaborador
O que percebemos nas empresas em geral:
* Definem os comportamentos esperados em alguns casos misturando competência
desempenho com fator de produtividade.
* Desenvolvem um formulário que poderá ser aplicado on line.
* Encaminham o material para as chefias realizarem a avaliação.
* Recebem preenchidos conforme data prevista.
* E começam a perceber discrepância entre o resultado da avaliação e o
desempenho propriamente dito.
* Contratam Consultores para os programas de treinamento.
Podemos perceber que o processo começou parcialmente correto, mas esqueceram de
uma etapa do processo que é fundamental o treinamento de dar e receber feedback,
sem ele tudo vai por água a baixo, pois o fator subjetivo da avaliação não foi
trabalhado.
Nesse processo normalmente definimos:
* Competências críticas que a empresa busca ser reconhecida.
* Competências técnicas, comportamentais e estratégicas necessárias.
* Competências humanas de cada área.
* Estabelecemos régua de medição do desempenho.
* Definição das competências essenciais e complementares.
* Formatamos formulários com todos os envolvidos.
* Treinamento de "Dar e receber feedback".
* Acompanhamento.
* Tabulação considerando dados quantitativos e qualitativos.
* Estabelecimento do Plano de ação.
* Coaching.
Agora e a avaliação 360 graus?
Consiste em um método que consiste em avaliar o desempenho dos colaboradores,
através de uma rede de feedback envolvendo as pessoas que fazem parte do seu
círculo de atuação, possibilitando a visão da sua performance sob diferentes
ângulos (visão dos superiores, pares, subordinados, clientes e fornecedores).
Vantagens:
* Possibilita resultados mais confiáveis e isentos de influências pessoais;
* Possibilita a visão da performance do avaliado sob diferentes ângulos;
* Promove maior aceitação, pois os colaboradores percebem como um processo mais
justo e confiável;
* Possibilita um maior controle da coerência do avaliador nos diferentes
pareceres que emite.
Para isso é necessário:
* Elaboração mais clara da análise e prática na descrição de competências;
* Comunicação assertiva das competências a serem avaliadas;
* Base de dados informatizada que viabilize o processo e garanta o sigilo das
informações;
* A aplicação envolvendo muitas pessoas, por isso é preciso um envolvimento,
grupal maior e mais rápido e com maior comprometimento.
* Administrar conflitos principalmente se as pessoas não estiverem preparadas
para o processo, pois passar por avaliação dá frio na coluna, por mais que as
pessoas digam o contrário.
* Desenvolver a estratégia de apuração dos resultados, pois ela é mais complexa;
Apresentar gráficos / relatórios para o feedback do colaborador.
Agora eu pergunto para você:
* A empresa em que trabalha está à madura para um processo de avaliação nesta
complexidade?
* Como está a maturidade das chefias e subordinados para um processo 360 graus?
* Será que não vale a pena começarmos pelo modelo tradicional, buscando uma
maior complexidade?
* Será que não vale a pena sair do modismo e praticar a avaliação de desempenho
com maior segurança favorecendo atingir os objetivos a que se propõe?
Tenho percebido que a grande maioria das empresas não responde satisfatoriamente
as questões acima e muitas vezes somos chamados para consertar e não para
implantar como manda o figurino.
Pense nisso e vamos conversando.
*Maria Inês Felippe é consultora e palestrante, especialista em Criatividade,
Inovação e Gestão, e autora do livro 4 C’s para Competir com Criatividade e
Inovação, pela Editora Qualitymark - www.mariainesfelippe.com.br