Adolescência x Aborrecência

Por Melissa de Fátima Antunes

07/11/2007



A adolescência é um momento muito delicado e decisivo, que todos vivenciamos uns mais intensamente do que outros este momento é carregado de mudanças, decisões e conflitos, pois muitas vezes vivenciar este mundo novo chega a ser assustador.
Temos uma mudança radical e também assustadora quanto ao corpo em desenvolvimento, como nas meninas: aparecimento dos seios, produção hormonal – menarca (primeira menstruação), pêlos pubianos, etc.
Nos meninos as mudanças também ocorrem e em geral quanto ao desenvolvimento biológico temos: pêlos no rosto (aparecimento de barba, bigode, cavanhaque), pêlos pubianos, a voz começa a ficar mais grossa, os hormônios começam a influenciar nas suas necessidades diárias.
Esta série de mudanças provoca um desconforto e um conflito entre o ser criança e o processo de evolução para tornar-se adulto, tendo ciência de que ainda não está pronto para ser adulto, mesmo que inicialmente já haja alguns comportamentos que não pertence ao universo infantil.
Quanto aos aspectos psicológicos podemos esperar que o adolescente, comece a ter um despertar para sua sexualidade (maturidade genital), é um momento de reformulação quanto aos conceitos do seu próprio EU, resultando em um abandonar a auto-imagem infantil e começar a planejar sua vida adulta.
Segundo ABERASTURY E KNOBEL (1981 - p.27) “é muito difícil de assinalar o limite entre o normal e o patológico na adolescência, e considera que, na realidade, toda a comoção deste período da vida deve ser considerada como normal, assinalando também que seria anormal a presença de um equilíbrio estável durante o processo adolescente.”.
Assim podemos compreender como é difícil ter que encontrar seu espaço no mundo sendo que o próprio adolescente nem se reconhece fisicamente, pois seu corpo também está em um processo amadurecimento. Como fica complicado para o próprio adolescente fazer escolhas, mesmo que esta seja própria neste momento de vida escolar como: escolha de uma carreira profissional a ser seguida – vestibular.
De acordo com CARR – GREGG e SHALE (2006) existem quatro grandes metas que devem ser alcançadas pelos adolescentes são elas: a formação de uma identidade equilibrada e positiva, alcançar a independência dos pais ou dos adultos responsáveis pela educação do adolescente(s), conhecer e amar pessoas fora do convívio familiar, encontrar seu lugar junto ao sol ou um lugar no mundo ou dar um rumo à sua carreira profissional e por conseqüência alcançar a independência econômica.
No entanto ERIK H. ERIKSON (1987), vê a adolescência da seguinte forma: sendo os últimos anos de escolaridade juntamente com a revolução fisiológica de uma maturação genital e a incerteza dos papeis a serem cumpridos pelos adultos.
Os adolescentes em geral demonstram uma preocupação com a constituição da identidade, possui uma preocupação com o que suas ações representam frente o olhar alheio – aceitação.
Mas ao mesmo tempo são portadores de criticas muito severas que muitas vezes surpreendem os adultos a sua volta, o momento vivido pelo adolescente esta diretamente ligada ao fato de ter que realizar escolhas, carreira profissional, vida pessoal, modelo de personalidade a ser seguida ou ate a criação de um modelo próprio onde supra suas futuras necessidades e /ou valores e /ou objetivos para com a vida de adulto.
É importante levar em conta que na fase da adolescência, os adolescentes vivem em constante busca, descobertas, mas para isso devemos levar em conta que o adolescente vive momentos onde a incerteza reina. O que não se pode negar é que nesta fase da vida o individuo oscila suas opiniões e desejos, pois está disposto a experimentar para que assim possa opinar com certeza.
A adolescência é conhecida por sua impulsividade, impaciência, onde tudo deve acontecer como deseja senão quando o adolescente fica contrariado se revolta. A revolta no adolescente é algo esperado, mas devemos levar em conta que está revolta é considerada adequada até o momento que ela não se mistura com a agressividade, por que então consideramos uma falta de respeito.
Uma coisa é existir sentimentos e desejos próprios da adolescência outra coisa é a falta de respeito e falta de educação, que para isso não há justificativo plausível e /ou aceitável.
Os aspectos físicos da adolescência (crescimento, maturação sexual) são os componentes da puberdade, vivenciados de forma semelhante por todos os indivíduos. Quanto às dimensões psicológica e social, estas são vivenciadas de maneira diferente em cada sociedade, em cada geração e em cada família, sendo singulares até mesmo para cada indivíduo. Que em alguns momentos gera ao adolescente a revolta e certa inconseqüência, como em outros ele seja maduro como um adulto (ou até mais), tomando posturas assertivas.
Quando me questionaram sobre o que seria adolescência formal e abstrata, primeiro devo destacar que é uma nomenclatura para nomear formas do pensamento humano, o pensamento formal é o utilizado no dia a dia, o abstrato é quando não precisamos do “objeto concreto” para compreender o que está sendo informado. Esta nomenclatura é utilizada por JEAN PIAGET.
“Como se observa neste trecho: ”É neste contexto de alteração do próprio corpo e também de uma maturação ao nível do intelecto (operações formais e abstractas), que o adolescente procura entender quem é e qual o seu papel na sociedade em que vive: interessa-se por problemas de ordem moral e ética e, por vezes, adota ideologias.”

Referências

ABERASTURY, A.; KNOBEL, M. (Org). Adolescência normal: um enfoque psicanalítico. Porto Alegre: Artes Médicas, 1981.
CARR-GREGG, M.; SHALE, E. Criando adolescentes: como prepará-los para os desafios da vida. 2a. ed. rev. São Paulo: Editor Fundamento, 2006.
ERIKSON, E. H. Identidade: juventude e crise. 2a. ed. Rio de Janeiro: Guanabara, 1976.
AIELLO-VAISBERG, Tania. (Org). Um lugar onde brincar. In: ----. Caderno ser e fazer: o brincar. São Paulo: Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo, 2004, p. 24-29.



Melissa de Fatima Antunes tem como área de pesquisa e atuação o atendimento psicoterapêutico de crianças, adolescentes, adultos, orientação de pais e a terceira idade. É editora de um blog onde fornece material de leitura para os pais, responsáveis e educadores em geral: http://afadadodia.blogspot.com/

É pesquisadora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo - USP, pelo Laboratório APOIAR.