Adoção
Por Eliane Pisani Leite
11/03/2010
Para falarmos sobre adoção precisamos entender o que isso significa em termos
legais em nosso país. O Estado entende que o núcleo básico que sustenta uma
sociedade organizada, equilibrada deve estar fundamentada em pequenos grupos que
constituem as famílias. Essa interpretação provém da necessidade de amparo e
proteção aos menores que sem sombra de dúvidas necessitam de cuidados desde o
nascimento. Para compreendermos um pouco melhor o sistema de adoção vejamos sua
definição:
Adoção ou adopção, no Direito Civil, é o ato jurídico no qual um indivíduo é
permanentemente assumido como filho por uma pessoa ou por um casal que não são
os pais biológicos do adotado. Quando isto acontece, as responsabilidades e os
direitos (como o pátrio poder) dos pais biológicos em relação ao adotado são
transferidos integral ou parcialmente para os adotantes.Na grande maioria dos
países, o filho adotado possui os mesmos direitos de um filho legítimo.
No Brasil, a adoção é regida pelo Código Civil e pelo Estatuto da Criança e do
Adolescente.
O adotante deve ser pessoa maior de dezoito anos, independentemente do estado
civil, ou casal, ligado por matrimônio ou união estável, desde que um deles
tenha completado 18 anos de idade.
Além disso, a diferença de idade entre o adotante e o adotado deve ser de, no
mínimo, dezesseis anos. Deve haver intervenção do juiz, em processo judicial,
com participação do Ministério Público(..www.wikpedia.org)
A vida em sociedade presume o direito da criança ou do adolescente a uma
família, responsável por seu sustento, educação e guarda. Na impossibilidade de
conviver com seus pais naturais, o menor pode ser integrado a uma família
substituta em regime de guarda, tutela ou adoção.
O termo família vem do latim famulus, criado ou servidor. Inicialmente a palra
designava o conjunto de empregados de um senhor e só mais tarde passou a
empregar-se para determinar um grupo de pessoas que, unidas por laços de sangue,
viviam na mesma casa e estavam submetidas à autoridade comum de um chefe, com o
passar dos tempos essa situação foi mudando de acordo com as necessidades dos
integrantes do grupo familiar, como veremos a seguir.
A célula fundamental na formação e desenvolvimento do ser humano é, sem dúvida,
a família.
Apesar disso, podemos observar que nos últimos anos, mais precisamente, na
última década, a instituição da família sofreu uma violenta carga de
desintegração.
Os motivos podem ser vários como: o fato de vivermos numa sociedade capitalista
onde tempo é dinheiro, e obviamente em função dos tipos de personalidades em si,
desencadeadas pelo reflexo de uma sociedade conturbada.
Em virtude de uma série de problemas, normalmente de ordem material ou afetiva,
a família já não é o exemplo de solidez de convivência mútua entre duas pessoas
ou mais.
O ser humano nasceu para viver socialmente, para constituir família e assim dar
continuidade aos laços de parentesco. Este é o principio básico da existência
humana.
Na Idade Média, no início dos tempos modernos, assim que as crianças fossem
capazes de dispensar a ajuda das mães e amas, após um período de desmame tardio,
aproximadamente aos sete anos de idade, as crianças se misturavam com os
adultos, participando com seus amigos jovens ou velhos dos trabalhos e jogos de
todos os dias. O movimento de vida coletiva arrastava numa mesma torrente as
idades e as condições sociais, não deixando espaço para a solidão e a
intimidade.
A família naquela época cumpria a função de transmitir a vida, os bens e o nome,
mas não se estendia no quesito da sensibilidade. A civilização medieval não
dispensava tanta importância à educação. Ao contrario dos nossos dias onde temos
a consciência da necessidade de um sistema educacional.
A vida no passado até o século XVII, era vivida em público. Na realidade não
existia nenhuma intimidade, as pessoas viviam misturadas umas com as outras,
senhores e criados, crianças e adultos, em casas permanentemente abertas às
indiscrições dos visitantes.
Foi a partir do século XVIII, que a família começou a desenvolver o sentimento
de individualidade e intimidade.
A família dos tempos modernos tornou-se uma sociedade fechada onde seus membros
gostam de permanecer reunidos. Esse modelo familiar estendeu-se à medida que a
sociabilidade se retraiu. A partir do século XVIII, as pessoas começaram a se
defender contra uma sociedade cujo convívio constante até então havia sido a
fonte da educação, da reputação e da fortuna. Daí em diante um movimento social
iniciaria a diferenciação entre senhores e criados, grandes e pequenos, amigos
ou clientes. Esse movimento foi mais rápido em grandes cidades como Paris por
exemplo. Assim a história de nossos costumes reduz-se em parte ao esforço do
homem para se separar dos outros, para se afastar de uma sociedade cuja pressão
não pôde mais ser suportada. A vida profissional e a vida familiar tornaram-se
responsáveis pelo afastamento dessa outra atividade constituída pelas relações
sociais.
Alguns cientistas sociais indagam a hipótese de que o sentimento da família e a
sociabilidade não eram compatíveis, e só podiam se desenvolver à custa um do
outro.
Atualmente os membros de uma família se unem pelo sentimento, o costume e o
gênero de vida. A alta nobreza e o povo, situados nas duas extremidades da
escala social, conservaram por mais tempo as boas maneiras tradicionais, e
permaneceram indiferentes à pressão exterior. As classes populares mantiveram
até quase nossos dias o gosto pela multidão, existindo dessa forma uma relação
entre o sentimento de família e o sentimento de classe. Os jogos e as escolas,
que a priori eram comuns ao conjunto da sociedade, logo ingressaram num sistema
de classes.
A família e as classes reuniam indivíduos que se aproximavam por sua semelhança
moral e pela identidade de seu gênero de vida.
O sentimento da família, o sentimento de classe, surgem como manifestação da
mesma intolerância diante da diversidade, com o mesmo objetivo de manter a
uniformidade.
E, hoje, quando a sociedade determina a situação da família, moldando-as aos
padrões econômicos, políticos e culturais, é válido lembrar dos valores da
célula básica, porque nada a substituiu.
As relações afetivas abrem caminho a qualquer outro desenvolvimento. Até os dia
de hoje, o que melhor correspondeu às necessidades básicas de um indivíduo foi
sempre a estrutura familiar, firmada no amor e na harmonia.
A adoção tem sua origem mais remota no dever de perpetuar o culto doméstico.
Muito utilizada entre povos orientais, como dão notícia o código de Manu e o de
Hamurabi, teve regular o seu uso na Grécia. Encontrou, porém, no direito romano,
disciplina e ordenamento jurídicos sistemáticos
No Brasil, a legislação atribuiu a condição de filho adotado com os mesmos
direitos de deveres, inclusive sucessórios, desligando-o de qualquer vínculo com
os país e parentes, salvo os impedimentos matrimoniais. Proíbe, ainda, qualquer
designação discriminatória relativa a filiação.
Cabe aos pais adotivos o cuidado e a conduta equilibrada na educação. Respeitar
o direito da criança saber de sua origem é um fator importante, bem como
respeitar os sentimentos dela com relação à família de origem.
É fato que estamos caminhando para uma série de mudanças na estrutura familiar,
porém espero também que o fundamental permaneça sempre para continuar formando
homens com personalidade e individualidade em conjunto. Indivíduos que sejam
capazes de amar, e respeitar o próximo como seu semelhante.
Eliane Pisani Leite - Autora do livro: Pais EducAtivos -
Pisicologia Acupuntura Psicopedagogia - pisani.leite@terra.com.br